Enquanto os candidatos fazem da campanha eleitoral uma disputa por votos, para os militantes contratados o pleito também representa a oportunidade de ganhar pelo menos um salário mínimo mensal. Os coordenadores das coligações encabeçadas por Tuga Angerami (PDT) e Caio Coube (PSDB) não revelam quanto seus funcionários recebem, mas a reportagem apurou que os vencimentos variam de R$ 14,00 a R$ 25,00 diários, dependendo da função e da carga horária.
O período eleitoral é comemorado especialmente por quem estava desempregado, caso da lancheira Noemi Gomes, que não trabalhava há um ano. “Entrei na campanha no final do primeiro turno e estou gostando bastante. É uma boa chance para ter um rendimento”, comenta.
Noemi levou a militância a sério e estava praticamente sem voz no final da tarde de ontem. “Estou assim de tanto falar e gritar, mas não reclamo, porque gosto do contato com o público”, relata.
A auxiliar de escritório Leda Maria Pereira estava desempregada há três meses e vem utilizando o dinheiro que está recebendo para reforçar o orçamento familiar e pagar as mensalidades do curso de administração.
Segundo ela, a campanha está sendo um aprendizado. “Antes, eu não gostava de política, mas descobri que ela é importante. A eleição é o único momento em que a gente tem a oportunidade de decidir alguma coisa”, comenta.
A dona de casa Márcia Domingues Cardoso se tornou militante depois de receber o convite de um amigo e diz que não se arrependeu. “O trabalho chega até mesmo a ser divertido e dá a impressão que você aproveita muito mais o dia”, relata.
De acordo com ela, as pessoas que trabalham distribuindo panfletos, colando cartazes e balançando bandeiras fazem por merecer o que recebem. “Eu, por exemplo, chego às 8h30 e não tenho hora para sair. Enquanto tiver trabalho, a gente vai ficando”, afirma.
A professora de capoeira Lidiane Pereira também destaca que nem sempre é fácil fazer propaganda para os candidatos. “Há pessoas que nem olham para mim quando tento entregar os panfletos”, reclama.
Voluntários
Nem todos os militantes que trabalham na campanha recebem pela panfletagem. O ideal político acaba falando mais alto para alguns voluntários, como a estudante Ariadne Lúcia Pavan da Silva, que ontem à tarde colava cartazes de seu candidato na rua Virgílio Malta.
Integrante do movimento estudantil, ela conta que começou a militar nas eleições presidenciais de 2002. “Sempre gostei de política e acho importante essa participação”, destaca.
Colega de Ariadne, Paulo Henrique dos Santos Godói também está militando como voluntário e não se incomoda de trabalhar sem receber. “Estou aprendendo bastante com essa experiência”, relata.
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Material
A campanha eleitoral também movimenta os setores da economia que trabalham, por exemplo, com a confecção de camisas, faixas e brindes encomendados pelos candidatos.
O empresário Antônio Brosler, dono de uma estamparia, conta que produziu 32 mil adesivos e 5 mil camisetas para os dois turnos das eleições. “A campanha foi importante para equilibrar as finanças, porque vínhamos trabalhando no vermelho o ano todo”, relata.
Brosler afirma, porém, que a procura dos candidatos por seus serviços já foi maior no passado. “Atualmente, muitos partidos optam por produzir seu próprio material. Além disso, a situação financeira do País também atrapalha”, argumenta.