Política

Campanha do segundo turno termina com debate na TV

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Para o eleitor que ainda estava indeciso, a campanha eleitoral à Prefeitura de Bauru terminou ontem com o debate promovido pela TV Tem entre os candidatos Caio Coube (PSDB) e Tuga Angerami (PDT). Com duração aproximada de 40 minutos, o encontro entre os prefeitáveis foi dividido em cinco blocos, dois dos quais resultaram em perguntas e respostas mais incisivas porque os temas foram livres.

Um dos momentos mais polêmicos do debate envolveu citações dos programas eleitorais do dois candidatos. Caio perguntou a Tuga porque ele teria mudado de comportamento no segundo turno durante a campanha. O tucano, no seu entendimento, foi atacado nas últimas semanas durante os programas do pedetista.

Tuga respondeu que manteve a ética e o compromisso de não baixar o nível da campanha. “Eu e meus eleitores fomos chamados pelo seu programa de burros porque vocês, que entendem do jogo do bicho, entenderam que o 12 é burro. E quem vota em burro, é burro. Isso é uma grosseria”, criticou.

Na réplica, o tucano disse que “a questão do 12” era “apenas uma brincadeira”. “Foi uma pitada de humor que foi recebida por vocês de uma maneira toda espetacular. Na verdade, a Justiça apenas puniu o seu programa de hoje (ontem) por que vocês passaram dos limites”, enfatizou.

Sobre esse mesmo assunto, o candidato do PDT voltou a comentar no último bloco do debate. “Lamentavelmente, eu não pude hoje (ontem) ter o meu programa indo ao ar. Ele foi impedido pela Justiça”, explicou.

O pedetista conta que iria usar o programa para se dirigir aos moradores do Núcleo Mary Dota, que, segundo ele, receberam milhares de panfletos dizendo que a culpa pelo fato dos mutuários não poderam arcar com o custo da prestação seria dele, o que foi negado.

Para Tuga, na época os mutuários adquiriram os imóveis porque tinham renda compatível com a prestação. “O que houve ao longo do tempo foi a política de arrocho de salário do governo Fernando Henrique Cardoso, de juros estonteantes, desemprego brutal, que inviabilizaram aos moradores do Mary Dota o pagamento em dia das prestações”, explica.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) e o tratamento de esgoto também compuseram a pauta do debate. O candidato pedetista perguntou a Caio se ele resistiria aos “olhos gordos da Sabesp”.

O tucano iniciou a resposta dizendo que o tratamento de esgoto da cidade é um “grande desafio”. “Estudos técnicos do DAE determinam a quantidade de R$ 57 milhões para que Bauru construa 55 quilômetros de interceptores e também construa a usina de tratamento de esgoto. É um dinheiro importante que o DAE não possui e a prefeitura também não”, analisa.

Para Caio, a alternativa deveria ser a busca de verba a fundo perdido no governo federal que, no seu ponto de vista, seria o melhor caminho. “Mas nenhuma cidade do porte de Bauru conseguiu. Marília resolveu seu problema com financiamento de R$ 45 milhões e São José do Rio Preto também”, relata.

O tucano avaliou, ainda, que fazer a obra com recursos próprios é uma alternativa “muito morosa”. “O DAE arrecada R$ 40 milhões por ano. Portanto, a capacidade de investimento do DAE é da ordem de 10% de sua arrecadação, R$ 4 milhões. Bauru levaria de dez a 12 anos para fazer o investimento do tratamento de esgoto. O melhor caminho é a obtenção do financiamento caso não haja a verba a fundo perdido”, conclui.

Os dois candidatos também colocaram como prioridade nos seus programas de governo as obras de pavimentação asfáltica. Tuga promete que, se eleito, vai executar as obras sem terceirizá-las. “Vamos usar equipamento, pessoal e a usina da prefeitura. Vamos fazer asfalto durante quatro anos para resolver definitivamente o problema”. Ele lembrou que quando foi prefeito fez cerca de 200 quilômetros lineares de asfalto.

Já Caio diz que elegeu o asfalto como prioridade de seu programa porque percorreu os bairros da periferia. “Andando com a população nas ruas esburacadas, sentindo a poeira, a lama, é que realmente percebi a necessidade de que isso seja o maior investimento. Vamos investir no aumento de capacidade da usina de asfalto da prefeitura e firmar parcerias com o governo do Estado”, disse.

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