Oque você faria por Bauru, pelo seu bairro e pela sua rua se hoje fosse o prefeito da cidade? Asfaltaria as ruas de terra? Construiria novas escolas? Urbanizaria mais praças? Ampliaria a quantidade de postos de saúde? Daria mais atenção à segurança?
Estas são apenas algumas das sugestões de moradores entrevistados pelo JC nos Bairros. Certamente, qualquer cidadão que assumisse o comando do Executivo hoje estabeleceria prioridades diferentes dos demais. Enquanto uns dariam mais atenção à Saúde, outros talvez estariam mais preocupados com infraestrutura, por exemplo.
Para mostrar divergências e pontos semelhantes entre discursos de cidadãos comuns, o JC nos Bairros entrevistou moradores de diferentes regiões da cidade. Eles fazem críticas à atual situação dos bairros de Bauru e apontam soluções.
Fica claro que a cidade é diferente para cada morador. Cada um tem suas queixas, suas reivindicações e suas sugestões. Ou seja, as representações de Bauru variam de acordo com o repertório pessoal.
O vendedor Robson Luiz Moraes, 39 anos, morador do Núcleo Nova Bauru, daria prioridade aos assuntos relacionados à segurança, que atingem principalmente a periferia da cidade.
Ele sugere que os bares espalhados pelos bairros sejam fechados às 21h para evitar problemas, já que muitas brigas e ocorrências graves têm início neste tipo de estabelecimento e à noite.
Já o aposentado Luiz Buccalon, 64 anos, morador da Vila Samaritana, região sul da cidade, tentaria resolver problemas de trânsito e de urbanização e manutenção de praças, entre outros.
Buccalon, entretanto, acredita que a região em que mora não precisa de tantas benfeitorias quanto a periferia de Bauru. “Neste lado aqui, comparado com o resto de Bauru, não precisaria fazer nada. Tem muita coisa a fazer mas, comparativamente, não”, frisa.
Cheila Sampaio Dárico, 32 anos, moradora do Jardim Tangarás, na região leste da cidade, destaca a precariedade da iluminação pública em determinados pontos de Bauru. Na opinião dela, a situação demanda medidas urgentes.
Para Olívia de Oliveira Silva, que mora no Núcleo Leão 13, região oeste, a carência de infra-estrutura nos bairros é um dos problemas mais alarmantes. Ela fala também sobre problemas de transporte, saúde e educação, entre outros.
De acordo com Lúcia Helena Sant’Agostinho, professora da Instituição Toledo de Ensino (ITE) e autora da tese de doutorado “Rumo ao Concreto”, cada habitante pensa a cidade de forma diferente, de acordo com o repertório pessoal e a vivência no local. Pode- se dizer que existem várias Baurus.
“Você acaba tendo ilhas de interpretação diferenciadas. Quando eles propõem algo algo para a cidade, eles podem jogar toda a responsabilidade para o poder público ou assumir a co-participação da gestão da cidade”, diz.
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Administrações Regionais
Embora o JC nos Bairros tenha constatado que moradores de regiões distintas da cidade têm visões divergentes da realidade local, a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) afirma ter dificuldade para estabelecer tais diferenças a partir das queixas que chegam às regionais administrativas.
“É difícil dizer quais são as diferenças entre as reclamações nas diferentes regionais. Elas são as mais diversas possíveis”, diz Arlindo Figueiredo, titular da pasta.
A constatação mais marcante, segundo o secretário, é de que a Sear é mais solicitada nos bairros da periferia de Bauru. “Para todo tipo de reclamação. Mas o que mais preocupa são os buracos, devido às ruas de terra que se concentram na periferia. Nas regiões de ruas não-pavimentadas, a incidência de buracos é maior”, explica Figueiredo.
Por esse motivo, as regionais Independência, Falcão e Mary Dota geralmente têm bastante demanda, embora todas tenham seus problemas.
Além disso, as demandas das regionais administrativas são sazonais. “Depende da época. Tem época em que está uma tranqüilidade. Muda o tempo e uma outra regional pode passar a ser a mais solicitada”, explica o secretário.
Em época de chuva, por exemplo, aumentam os pedidos de limpeza de bocasde-lobo. A Sear, entretanto, não tem dados sobre todas as reclamações que chegam às regionais, apenas daquelas de competência da secretaria. Outras são encaminhadas aos órgãos competentes.