Norte
Aregião norte da cidade carece de medidas de prevenção à criminalidade. A afirmação é do vendedor Robson Luiz Moraes, 39 anos, morador do Núcleo Nova Bauru. Se ele fosse prefeito da cidade, uma das primeiras providências que tomaria seria a determinação do fechamento de bares na periferia após as 21h.
“Em Diadema, depois que fecharam os bares, a criminalidade caiu quase 50%. Eu acho que, se esses bares que se espalham pela periferia, fossem fechados às 21h, a criminalidade seria bastante amenizada”, argumenta.
Ele afirma que a medida teria de ser especialmente direcionada para a periferia já que as ocorrências mais graves da cidade são registradas com maior freqüência em bairros carentes. “É aqui que acontecem mais as coisas. As ocorrências graves sempre começam em algum bar – os fatos e as reportagens já mostraram”, diz.
Moraes afirma que há muitos bares nos bairros da região. “Amenizaria tanto na rua como nas casas porque, se alguém chega bêbado em casa, ele pode agredir a mulher. Com essa medida, o dinheiro também começaria a ser melhor empregado nas coisas do lar”, destaca.
A casa do vendedor já foi furtada quatro vezes. Por este motivo, ele acredita que falta policiamento preventivo no bairro e na região. “Aqui, a criminalidade é muito grande. Se eles sabem o que acontece nos bairros, por que não há uma prevenção?”, questiona.
O morador também enfatiza o problema do desemprego, que afeta grande parte da comunidade da periferia de Bauru. “Com emprego, pelo menos a pessoa tem condições de sustentar a família e de ter dignidade. Sem renda, você não tem como sustentar uma família”, frisa.
Se estivesse no comando da administração municipal, Moraes ofereceria mais incentivos para que as empresas criassem mais empregos em Bauru. “Dando oportunidades e incentivos”, reforça.
Na opinião do morador, o município também carece de planejamento. “Muitas vezes a pessoa compra um terreno num local que não tem nem água, nem luz, nem nada. Falta escola, creche, posto de saúde etc. Tudo porque a cidade vai crescendo desordenadamente. O Nova Bauru cresceu e só depois de alguns anos fizeram a escola. As crianças tinham de se deslocar daqui para outros bairros. Algumas conseguiam ônibus, outras não”, critica.
Outro problema recorrente, segundo Moraes, é a carência de áreas de lazer. “Só temos uma escola que fica a umas 20 quadras do bairro e fica aberta aos fins de semana através do Programa Escola da Família. Algumas crianças vão a pé até lá porque não têm outra opção”, afirma o morador.
São tantos os problemas que o vendedor já pensou em mudar de bairro, mas desistiu. “O trabalho social que eu faço na igreja católica me fez desistir de ir embora. Hoje, eu não penso mais nisso”, afirma.
Leste
Carência de iluminação pública é um problema que afeta diferentes bairros da cidade, conforme o JC já publicou. O Jardim Tangarás, na região Leste da cidade, é um deles. Por esse motivo, a dona de casa Cheila Sampaio Dárico, de 32 anos, moradora do bairro, considera essa uma das prioridades de Bauru. Na opinião dela, é um absurdo que algumas comunidades vivam às escuras em peno século XXI.
Cheila destaca que muitas quadras do bairro não têm nenhum poste de luz. “Se eu fosse prefeita, eu começaria pela iluminação, que aqui é precária. À noite, é terrível aqui; dá até medo de ir a algum lugar. A escuridão é terrível, ninguém sai de casa e é perigoso”, conta a moradora.
“É como se estivéssemos numa fazenda. Em frente à minha casa tem um poste de luz, mas nos outros pedaços não tem nada”, reforça.
Além da escuridão, outro problema que atinge o Jardim Tangarás e praticamente toda a cidade são os terrenos baldios com mato alto. Cheila afirma que é preciso uma providência imediata quanto a esse problema e frisa que, se fosse prefeita do município, obrigaria os proprietários a cortar o mato periodicamente.
“Os terrenos estão todos cheios de mato. É tudo mato alto e é perigoso alguém se esconder e a gente não ver. Eu obrigaria os donos dos terrenos a limpálos. Às vezes, a gente mesmo limpa ou coloca fogo porque é terrível a situação. Ali se escondem bichos, ratos, baratas. Por mais que você limpe a sua casa, eles acabam entrando”, justifica.
O asfalto ficaria em terceiro lugar na lista de prioridades de Cheila. Ela cita o Jardim Tangarás, que é totalmente desprovido de pavimentação, para ilustrar a situação de muitos bairros da periferia da cidade.
“Quando chove, fica tudo cheio de lama. Quando não chove, é uma poeira terrível e as casas têm de ficar todas fechadas. A gente limpa e fecha a casa”, diz. “Depois que eu mudei para cá, eu, meu marido e meu filho mais velho começamos a ter crises de rinite. Vivemos à base de remédios descongestionantes porque a poeira é demais”, acrescenta.
Outra conseqüência da falta de pavimentação são os buracos, que já fazem parte do cenário de muitos bairros de Bauru. “Quando chove, forma cada buraco na entrada do bairro que não passa carro. Temos de dar a volta pela rodovia para entrar no Tangarás”, enfatiza.
Cheila também trabalharia para prover de infra-estrutura e equipamentos públicos os bairros que ainda não os têm. Novamente, o Jardim Tangarás serve como exemplo.
“Seria muito bom se tivesse uma creche, uma escola, um posto de saúde para nossas crianças. Meu menino, por exemplo, pega ônibus comum todos os dias para ir à escola. E, quando precisamos de atendimento médico, temos de ir até o Geisel ou o Redentor”, diz.
Sul
Se estivesse no comando da administração municipal, o morador da Vila Samaritana (região Sul) Luiz Buccalon, aposentado, tomaria providências para melhorar o trânsito da cidade em pontos como a avenida Getúlio Vargas; tentaria solucionar o problema do barulho e caos na mesma avenida, principalmente no período noturno; e cuidaria mais das praças de Bauru.
“Aqui, temos problemas de trânsito; das moradias desaparecendo na Getúlio Vargas, onde tudo está se transformando em comércio; noites barulhentas, principalmente na sexta-feira e no sábado. Aqui virou point da moçada. Você ouve motocicletas com escapamento aberto fazendo um ronco terrível”, diz.
Buccalon explica que a organização das mãos de sentido na região provoca aglomerações de carros em diversos pontos. “Essa região virou um caos. Não sei se lá para baixo (no Centro) resolveu alguma coisa. Se eles não consertarem isso rapidamente, vai piorar porque tem empreendimentos novos sendo construídos nesta região e a tendência é aumentar a quantidade de veículos”, argumenta.
Observando a situação da Praça Portugal, o morador afirma que há um pouco de esquecimento do poder público. O aposentado afirma que faria mais praças em Bauru para compensar os terrenos que deveriam ser áreas de lazer e foram ocupados por prédios públicos como delegacia, Câmara Municipal, Correios, escolas etc.
“As plantas da praça são muito mal cuidadas. Desde que morreram outras árvores que estavam aí, não fizeram mais nada. O acabamento da praça poderia ser melhor”, destaca.
Outro problema detectado por Buccalon são os vazamentos de esgoto e a falta de padrão das lombadas. “Eu resolveria os problemas de esgoto a céu aberto e também padronizaria os quebra-molas.
A maioria está fora de padrão. Embora eu, particularmente, seja contra quebramolas. Eu acho que você tem que arrumar a calçada para ela ficar perfeita. Rua é rua”, expõe.
Ele acredita, entretanto, que consertar uma seqüência de erros de antigos administradores é uma tarefa difícil. “Porque são erros que vão se somando. São coisas absurdas. A gente não pode querer exigir muito porque, do jeito que está o abandono da cidade toda, não dá para fazer pressão para arrumar apenas um pedaço do bolo”, afirma.
Para o morador, é preciso planejamento e organização para solucionar os problemas da cidade. “Por que tem dinheiro para fazer tanta coisa errada e não tem para fazer o que precisa? Quando tem uma série de erros ao longo do tempo, tem que eleger prioridades e começar consertando”, reforça.
Ele destaca as carências dos bairros de periferia, que estão em situação crítica. “Em Bauru, é preferível dar atenção aos bairros periféricos. A cada dia mais é preciso integrar as pessoas.”
Oeste
Asfato é uma das reivindicações mais freqüentes dos bairros de Bauru. É pela pavimentação que a moradora Olívia de Oliveira Silva, 59 anos, moradora do Núcleo Leão 13 (região Oeste), começaria a resolver os problemas da cidade.
“No Centro, o asfalto está todo quebrado e as ruas estão precisando de arrumação. Nos bairros, é preciso colocar asfalto. Eles querem que nós façamos os calçamentos, mas nós não podemos. Somos pobres. A prefeitura precisa colocar asfalto, precisa arrumar certas ruas da cidade”, frisa.
Olívia, que é aposentada, confessa que é difícil eleger prioridades, já que as carências são inúmeras. “No nosso caso, está faltando tudo. É muita coisa mesmo. Nosso bairro está com falta de muita coisa”, frisa.
Assim como Cheila Dárico, moradora da região Leste, Olívia dotaria os bairros de equipamentos públicos como escolas, creches e postos de saúde. “Não temos posto médico. Não temos nem farmácia. Não tem nada aqui. A gente queria que eles cuidassem melhor dos bairros. O prefeito precisa lembrar que nós existimos aqui. A cidade está muito abandonada”, enfatiza.
Quanto à saúde, a moradora sugere a ampliação do Programa de Saúde da Família, em que as comunidades são atendidas por equipes médicas em suas próprias residências. “Tem vilas que já têm isso e a gente queria que fosse ampliado para o resto da cidade”, destaca.
O problema da educação é observado de perto por Olívia. “Não temos escola. Estão construindo uma escola no Santa Cândida, lá embaixo, mas nós precisamos de uma escola no Leão 13”, diz.
“Além de tudo, essa juventude fica toda jogada para as ruas sem serviço. E as crianças precisam de melhorias nos colégios. Eu gostaria de coisas melhores
para os nossos jovens. A prefeitura precisa olhar mais pelas escolas. Estão acontecendo muitas coisas ruins nas escolas”, lamenta.
Segundo a aposentada, outro problema gravíssimo de partes da periferia de Bauru é o saneamento básico. “Nós não temos nem água. É uma falta d’água aqui medonha. Além disso, esgoto vazando a céu aberto tem de monte. É um mau cheiro terrível. Isso precisava ser solucionado”, observa.
Além desses problemas, Olívia enumera uma série de outros obstáculos enfrentados cotidianamente pelos moradores dos bairros da periferia de Bauru. São carências que ela detecta localmente no bairro em que mora, mas tem certeza de que em vários cantos da cidade outros cidadãos precisam das mesmas benfeitoras.
Entre eles, a aposentada cita a falta de ônibus, a precariedade da iluminação pública, a falta de manutenção de praças e a antiga reivindicação por um posto policial perto de casa.