Uma empresária de Bauru, que tem filhas gêmeas de 11 meses e que preferiu não se identificar, conta que optou pela reprodução assistida por conta das dificuldades e da demora que enfrentou ao tentar engravidar. Entretanto, em nenhum momento ela cogitou a possibilidade de escolher o sexo de seus filhos.
“Eu tinha um sonho tão grande de ser mãe que imaginava um bebê no meu colo, e não um João ou uma Maria. Nunca me passou pela cabeça escolher. Mesmo quando descobri que estava grávida de gêmeos, eu pensava sempre em um menino e uma menina, e percebo que realmente não havia preferência por um sexo”, diz.
Ela afirma que é contra a idéia de balanceamento familiar na questão do sexo dos filhos e indica que uma maneira de fazer a opção seria a adoção. “Não critico quem queira ter muito um menino ou uma menina, mas na escolha do sexo você tem de descartar os embriões que não serão implantados no útero. Vejo isso como descartar um bebê”, argumenta.
Já uma assessora de comunicação que tem dois filhos, de 4 anos e 1 ano, e também não quis ser identificada, comenta que não teria receio de fazer a sexagem numa futura gravidez. “Gostaria muito de ter uma menina. Quando fiz os tratamentos para ter os meninos, não pensamos nisso, mas nosso médico até comentou que o procedimento já era possível, apesar de proibido no País”, relata.
Na sua opinião, a questão ética da sexagem deve ser reavaliada nos próximos anos em virtude dos avanços da medicina. “Me preocupo com a utilização da sexagem em culturas muito machistas, pois poderíamos ter um desequilíbrio no número de homens e mulheres no mundo. Mas é um avanço que está aí e terá de ser regulamentado. A reprodução assistida é cara e são poucas as pessoas que têm acesso a isso”, observa.
De acordo com urologista Carlos Alberto Monte Gobbo, o descarte dos embriões não utilizados nas clínicas vem criando um sério problema para os profissionais da área. “De dez óvulos, nove em média transformam-se em embriões. Pela legislação, você pode introduzir quatro, e os outros são congelados. Hoje, temos um banco de embriões imenso. Se a mãe consegue engravidar, ela faz o quê com os embriões que estão no laboratório? Doa? Descarta?”, questiona.
Ele indica que uma das alternativas para o problema seria a doação dos embriões para bancos de células-tronco, utilizadas nas pesquisas de cura de leucemia, paralisia ou acidentes com fratura na medula. No entanto, a legislação brasileira não permite o uso de células-tronco retiradas de embriões.