Saúde

Aos 13 anos, Doutores da Alegria incentivam as ações regionais

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Paredes verdes ou brancas, pessoas vestidas de branco, cheiro de remédio, aparelhos apitando o tempo todo, estranhos entrando e saindo do quarto, agulhadas várias vezes ao dia e o mal-estar que parece não ter fim. Comovido com esse cenário angustiante, comum a todos os hospitais, o ator Michael Christensen decidiu levar diversão aos doentes.

Ele criou, em 1986, o “Clown Care Unit” - que poderia ser traduzido como “Unidade de Tratamento Palhaço”. A notícia dos bons resultados espalhou-se rapidamente pelo mundo. Serviu de inspiração para o filme “Patch Adams” e fomentou a criação de vários outros projetos semelhantes.

Há exatos 13 anos surgiam no Brasil os “Doutores da Alegria” e, a partir deles, muitos outros grupos empenharamse em levar diversão aos doentes. Em Bauru, esses “besteirologistas” fazem parte do “Projeto Alegria”.

A experiência mostra e os estudos comprovam que levar diversão aos hospitais representa muito mais que simplesmente alegrar um ambiente desagradável. A visita dos palhaços mexe tanto com os doentes, que acelera o processo de recuperação deles. É como se a alegria fosse uma “injeção” de ânimo àqueles que encontram-se, muitas vezes, entregues à internação.

“A visita faz muito bem. Quando eles chegam, o Caio muda totalmente, fica mais alegre. É duro passar um dia inteiro trancado num quarto, sem poder brincar, tomando remédios, puncionando a veia a toda hora, longe da família. Quando eles chegam, a criança até esquece que está no hospital”, comenta a dona de casa Maria Eunice Paes, cujo filho Caio, 1 ano, está internado há um mês com varicela.

“É bom até para a gente, que só acompanha”, afirma Eliana Vieira de Freitas. A avó acompanha Lucas, 5 anos, no Hospital Estadual de Bauru há seis meses. Vítima de um atropelamento ocorrido há três anos, o menino sofreu a mesma lesão que o ator Christopher Reeve (o Superman), e depende de aparelhos para manter-se vivo.

“Ele não consegue se comunicar, mas todo mundo percebe a mudança na expressão dele quando os palhaços chegam. Ele levanta a cabeça, mostra a língua e tenta falar”, completa a avó.

Pioneirismo

O projeto Doutores da Alegria foi trazido para o Brasil em 1991 pelo ator Wellington Nogueira, que integrou o programa “Clown Care Unit” em Nova York em 1988. Segundo assessoria de imprensa, o ator voltou ao Brasil em 1991, com a idéia de montar aqui um programa-irmão daquele, como ocorreu na França e na Alemanha.

“Com persistência e paciência, Nogueira superou os principais obstáculos – como começar, onde encontrar os artistas, conseguir as verbas necessárias, convencer os hospitais da importância do trabalho”, informa a assessoria.

Uma dificuldade também enfrentada pelo Projeto Alegria, segundo uma das coordenadoras, Teresa Guiglielmin. Ela conta que não foi muito fácil convencer diretores, médicos e enfermeiros da importância do trabalho.

“Eles diziam que estávamos interferindo no trabalho deles. Mas logo viram os resultados e, hoje, todos os portões se abrem para nossos voluntários”, comemora.

A organização Doutores da Alegria foi formada com dois palhaços, que trabalhavam em apenas um local. Hoje, 25 artistas integram o grupo, espalhados em 12 hospitais em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. A diferença para outros projetos é que não há voluntários. Todos são atores profissionais contratados para uma jornada de 12 horas semanais.

“Hoje, eles são apontados como uma das instituições pioneiras no País a dar importância para as relações humanas nos hospitais, transformandose em referência, quando se trata de humanização hospitalar”, aponta a assessoria.

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