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Casa Cor é de encher os olhos

*Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 5 min

É possível até ouvir os suspiros dos visitantes ao entrar em alguns ambientes projetados na Casa Cor São Paulo. A beleza da decoração é de encher os olhos e impressionar profissionais da área, leigos e até mesmo aqueles que (até então) não apresentavam o menor interesse pelo assunto.

E olha que a proposta estética definitivamente não é tudo dentro do conceito da mostra, que é considerada uma das mais importantes de design de interiores na América Latina.

O bem-estar, o conforto e a funcionalidade dos espaços é uma preocupação de grande parte dos decoradores, designers, arquitetos e paisagistas que assinam os 85 ambientes do evento, instalado em uma mansão de 2,8 mil metros quadrados no Morumbi.

A intenção é a de envolver o público em todos os sentidos e, seguindo esse propósito, vários ambientes agregam funções lúdicas. Sons e cheiros diversos compõem os espaços físicos idealizados para a mostra e convidam os visitantes a desejar desfrutar dos prazeres da vida sem precisar ultrapassar os limites do “lar doce lar”. Acredite: não há como não sentir um profundo desejo de consumo e experimentar, depois da exposição, uma certa frustração quando se chega em casa e se reencontra os antigos cômodos.

É claro que algumas propostas de materiais e ambientes, apesar de criativas, parecem inacessíveis para quem não dispõe no mínimo de muito dinheiro. O que pensar, por exemplo, de uma suíte para cachorros, onde o melhor amigo do homem tem direito a banheira de mármore, grama sintética, guarda-roupa e sanitário com descarga.

Entretanto, o objetivo da Casa Cor é apontar tendências. E é interessante notar que o público se apropria de detalhes e concepções de espaços apresentadas no evento. Esse movimento já começa a ser observado nos próprios cômodos do casarão do Morumbi, onde casais embalados pela overdose de luxo e beleza fazem planos de como aproveitar melhor os espaços de sua própria casa.

Esse é o caso da dona de casa Maria Cecília Jau, 48 anos, e o empresário Alexandre Jau, 49 anos, que passeavam pela mostra ao lado do filho Lucas, de 19 anos.

“Tem coisas bem legais, idéias que a gente está pensando em fazer em casa. Como, por exemplo, a bancada e um painel de madeira de um escritório que a gente viu e gostou; a pintura da parede do quarto da menina...São detalhes de decoração que às vezes trazem soluções para os espaços”, diz Maria Cecília. “Agora é claro que aqui existem coisas acessíveis e outras que não são aplicáveis”, adverte o empresário Alexandre Jau, que se demonstrou atraído pela utilização de espelhos e TVs em grande parte dos ambientes da mostra.

A arquiteta e paisagista Bianca Cristina Ferreira Santos, 27 anos, visitou pela primeira vez a Casa Cor, que chega este ano a 18.ª edição, e afirmou estar surpreendida com a criatividade dos ambientes. “Principalmente os ambientes mais hightech me impressionaram. Tinha TVs por todos os lados”, destaca.

A médica Vera Maria Cury Salemi, 40 anos, foi ao local especialmente para buscar inspiração para a decoração de sua casa e consultório.“ Eu achei que tem bastante coisa viável, que dá para ser aplicada”, opina.

Disposição

Se você s e n t i u - s e tentado em aproveitar a última oportunidade de visitar o evento neste feriado é bom estar preparado. Ao lado de todo glamour, é preciso muita paciência para enfrentar uma exposição que é sucesso de público e anda superlotada, além de disposição física para fazer um tour pelos 85 ambientes da Casa Cor.

Se isso não for motivo de desânimo, a diversão está garantida. E pode acreditar que alguns projetos insistem em ficar na memória. Esse é o caso do ousado quarto de bebê, idealizado pela arquiteta Lia Carbonari. Inspirado nos anos 70, o espaço abusa das formas circulares e das transparências.

O Spa da Casa, projetado por João Armentano, e a Casa da Árvore, de Kátia Perrone, também despertam empolgação do público logo na entrada da mostra. O primeiro projeto é composto por sala de massagem, bar de águas e um banheiro com chuveiro de luz colorida. No segundo, a decoradora apostou em um ambiente rústico e colorido, sem recursos tecnológicos e integrado à natureza.

Assinado pela arquiteta Bya Barros, o living da lareira é outro espaço que merece visita obrigatória e que se destaca pela sofisticação e modernidade. No local, há até um espaço para DJ, com mixers e pick-ups.

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Origensns

Nos últimos dois anos, a Casa Cor foi realizada em imóveis públicos tombados por seu valor histórico e cultural. A edição de 2004, a 18.ª do evento, marca uma volta às origens da exposição, concebida para ser ambientada em grandes casarões de São Paulo.

Este ano, a mostra está sendo realizada em uma mansão no bairro do Morumbi, que leva a assinatura do arquiteto italiano Romano Andreotti. Instalada num terreno de 18,3 milmetros quadrados, a casa foi erguida na década de 70.

Segundo a assessoria de imprensa da Casa Cor, a mostra ocupa uma área construída de 4,8 mil metros quadros, sendo 2,8 mil metros quadrados da mansão e o restante de ambientes especialmente projetados para o evento.

A construção do Morumbi é formada por vários núcleos, como se fosse uma vila toscana. No casarão, existem seis suítes, todas com closet e banheiros de mármore, sala de jantar, uma biblioteca com capacidade para 6 mil livros, entre outros ambientes. A mão-de-obra e as matérias-primas vieram da Europa.

Bastante avançado para sua época, o projeto do casarão trazia várias novidades, como um jardim japonês, que foi um presente do arquiteto Jorge Suwazono. Não se economizou também na área de lazer, que ganhou atrações como piscina, boate com palco e sala de cinema.

Da Redação

(*) A jornalista viajou a convite do Senac-Bauru

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