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Professores têm problemas de voz

Da Redação
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Uma pesquisa realizada na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru), pela disciplina de otorrinolaringologia, apontou que muitos professores da rede pública e particular de ensino apresentam problemas de distúrbios vocais.

Os principais sintomas detectados foram rouquidão, dificuldade em projeção vocal, episódios freqüentes de perda da voz, dificuldade na emissão de sons agudos, pigarro constante, dor e ardor para falar.

Fatores prejudiciais à emissão da voz foram constatados nas atividades diárias desses profissionais, como o número excessivo de alunos por classe, salas de aula instaladas em ambientes ruidosos com acústica inapropriada, exposição constante ao pó de giz e jornadas de trabalho excessivas, com poucos períodos de repouso vocal. O hábito de fumar também foi apontado como um fator adverso.

A pesquisa, realizada pela fonoaudióloga Elaine Lara Mendes Tavares e a médica otorrinolaringologista Regina Helena Garcia Martins, avaliou no decorrer deste ano 80 professores de escolas públicas e privadas.

O objetivo foi constatar as alterações vocais, avaliar os possíveis fatores responsáveis pelos distúrbios da voz e realizar diagnóstico das lesões laríngeas, por meio de exames de endoscopia.

“Frente ao número elevado de pacientes (dessa classe profissional) que nos procuram no ambulatório de voz, decidimos estudar um pouco melhor a saúde vocal do professor, se ele tem noção do que precisa fazer para cuidar da sua voz, que tipo de lesão ele está desenvolvendo por traumatismo e se existe algum cuidado institucional com essa classe de profissionais. Nesse último caso, observamos que não”, diz Regina Helena.

O estudo também realizou avaliação fonoaudiológica da qualidade vocal e acuidade auditiva e ensinou o grupo sobre as medidas preventivas de cuidados com a voz.

Voluntários

Os professores que participaram da pesquisa foram voluntários, com ou sem alterações vocais. Eles foram submetidos inicialmente a um interrogatório sobre as condições de trabalho, número de licenças médicas tiradas ao ano, tratamentos fonoaudiológicos já realizados, conhecimento quanto aos cuidados com a voz, etc.

Ao final do estudo, as pesquisadoras observaram que a maioria dos professores com rouquidão exercia as atividades profissionais há mais de 15 anos, com intensa jornada de trabalho, que muitas vezes ultrapassavam 40 horas semanais.

Eles desconheciam os cuidados que se deve ter com a voz e as medidas preventivas de higiene vocal. Mesmo no período em que se encontravam roucos, os professores continuavam exercendo as atividades didáticas, não procuravam profissionais da saúde e se automedicavam, fazendo uso abusivo de remédios como pastilhas e antiinflamatórios.

“Poucos deles disseram procurar fonoaudiólogo ou otorrino”, destaca Regina Helena. “Eles continuam trabalhando da mesma forma e não acham que isso pode evoluir para uma lesão maior. Eles se acostumam com a voz ruim”, completa.

Nas avaliações endoscópicas da laringe foram constatadas várias lesões nas pregas vocais dos voluntários. O exame normal foi observado em apenas 21% dos professores que apresentavam rouquidão. As lesões laríngeas mais recorrentes foram os nódulos vocais, os edemas, os pólipos e os cistos.

Cerca de dez professores com lesões foram submetidos a cirurgia das pregas vocais e estão dando continuidade ao tratamento fonoaudiológico.

Atenção

Os resultados, segundo as pesquisadoras, mostraram que a saúde vocal dos professores está comprometida e merece atenção dos profissionais da saúde.

Mesmo tendo a voz como um importante instrumento de trabalho, para as pesquisadoras, os professores não estão tendo tempo ou oportunidade para cuidarem da saúde vocal. Elas constataram que, mesmo entre os educadores com sintomas constantes de rouquidão, foi observado um reduzido número de licenças médicas, o que indica que os profissionais não estão se ausentando de suas atividades apesar das dificuldades em exercê-las.

As pesquisadoras lembram que a emissão vocal adequada não apresenta rouquidão, aspereza ou variações de intensidade ou de freqüência.

O resultado do trabalho integra a dissertação de mestrado da fonoaudióloga Elaine Lara Mendes Tavares, que será defendida no início do próximo ano, no curso de pós-graduação em Cirurgia da Unesp de Botucatu. A pesquisa foi orientada pela médica Regina Helena.

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