Jaú - A equipe médica do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Amaral Carvalho de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru), responsável pelo primeiro transplante de medula óssea utilizando células de sangue de cordão umbilical, deu alta ontem à tarde à paciente que realizou o procedimento no dia 8 de outubro.
A menina, de 9 anos, sofria de leucemia e não tinha doador compatível geneticamente na família. O sangue de cordão umbilical utilizado no transplante foi descoberto no final de setembro entre os 700 cordões armazenados no Banco de Sangue de Cordão Umbilical Placentário do Instituto Nacional do Câncer (Inca)
Trata-se da primeira unidade pública do País e um dos bancos que compõem a Rede Pública de Bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (Brasilcord), que foi inaugurada pelo Ministério da Saúde.
Segundo o chefe da equipe, Vergílio Rensi Colturato, a paciente foi para casa em bom estado de saúde. Ela será acompanhada, ambulatorialmente, no Hospital Amaral Carvalho pelos próximos seis meses.
Ele destacou a importância do programa Brasilcord, do governo federal, que por meio de bancos públicos de sangue de cordões umbilicais placentários beneficiará milhares de pacientes que necessitam de um transplante de medula óssea e não encontram um doador compatível na família.
Meta
A meta do governo é armazenar 50 mil cordões para atender à demanda de crianças e adultos, pois uma amostra serve apenas para uma pessoa de até 50 quilos. O Ministério da Saúde estima que, em cinco anos, a rede já contará com 20 mil cordões armazenados. O armazenamento de cada unidade está orçado em R$ 7 mil por ano.
Uma campanha publicitária deverá ser lançada em breve para orientar a população sobre a doação. Segundo a Agência Saúde, os critérios para captação do cordão umbilical são os mesmos estabelecidos para a doação de sangue. A mãe tem que ser saudável, não pode apresentar nenhuma infecção sangüínea.
Após a coleta, o material passa por uma separação e as células-tronco são congeladas em tanques de nitrogênio líquido a uma temperatura inferior a 180 graus negativos. Desta forma, as células podem ser armazenadas por até 20 anos.
O ministério salienta que, ao fazer a doação, o banco não tem a obrigação de garantir a disponibilidade daquelas células-tronco para seus próprios doadores, caso eles necessitem. “A doação do sangue de cordão é semelhante à doação de sangue: você doa material para qualquer pessoa que estiver precisando. A doação não é direcionada”, informa a Agência Saúde.