Geral

Leitura 'salva' redação no vestibular

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

A temporada dos principais vestibulares se aproxima e um dos grandes temores dos candidatos é a prova de redação. Estudos específicos e dedicação extra ao tema podem não ser suficientes para “salvar” o texto, que pode determinar tanto uma melhor classificação quanto mesmo a eliminação do vestibulando.

Pelo menos é o que pensa a professora de língua portuguesa Vera Lúcia Da Cas, especializada em redação e que mantém um curso particular sobre a disciplina na cidade. Para ela, para se sair bem nas temíveis provas de redação dos vestibulares, os candidatos precisam estar “antenados” com os temas da atualidade. “Para ser um bom redator, o aluno precisa ser um bom leitor”, ensina.

Por isso, explica Da Cas, os alunos não devem “economizar” esforços de leitura de todas as mídias disponíveis, de jornais a revistas, de livros à Internet. Além disso, este esforço não deve ser despendido apenas na véspera das provas. “Leitura é fundamental desde criança”, diz. Para ela, somente com esta “bagagem” adquirida o vestibulando poderá, com o auxílio das técnicas de redação, passar para o papel o seu referencial pessoal sobre os temas.

Ela lembra que os vestibulares não exigem do candidato o desempenho de um literato, mas apenas que ele seja capaz de escrever um texto de maneira racional, lógica e coerente. “Sem o conhecimento variado dos fenômenos da atualidade, o candidato tenderá a simplificar o debate e, com ingenuidade, cairá facilmente no que os avaliadores de redação classificam como senso comum”, explica.

A professora admite a importância do domínio das técnicas de redação, que pressupõem noções básicas de coesão e coerência, além do domínio do código (língua portuguesa), e destaca que um bom redator não se forma do dia para a noite. O curso que mantém na cidade tem início em fevereiro e, segundo ela, os frutos são colhidos somente agora, no final do ano. “Mas não existe técnica, se não há o que se dizer”, relembra, ressaltando sempre a importância do conteúdo.

Além disso, a prática continuada da leitura tem efeito direto até mesmo na hora da prova, na decodificação da coletânea de textos que alguns vestibulares apresentam. Ela cita, por exemplo, a prova da Unicamp, que costuma trazer mais de dez textos que servem de base para a redação.

Nota mínima

A estudante Juliana Cavalcante de Andrade Louzada, 18 anos, que tentará este ano, pela segunda vez, ingressar no curso de educação física da Unesp/Bauru, reconhece a importância da prova de redação no vestibular, mas não faz dela um “bicho-de-sete-cabeças”. Seu principal esforço se limita a cumprir o que é proposto pela disciplina no cursinho pré-vestibular que freqüenta. Isto significa, segundo ela, o estudo das “regras básicas” de redação e a elaboração de um texto por semana.

Ela admite que lê pouco jornais ou revistas - no máximo duas vezes por semana - e que prefere os livros. Na Internet, principalmente aos finais de semana, tenta inteirar-se sobre os temas da atualidade. Mas a estudante acredita que, com isso, poderá atingir a nota mínima para não ser excluída da classificação final de seu curso.

Envolvida com sua atividade de atleta - treina voleibol em dois períodos num clube da cidade -, Louzada prefere priorizar as disciplinas da área de ciências biológicas, com maior peso para o curso de educação física.

Mesmo às vésperas do “juízo final”, a professora Vera Lúcia Da Cas dá uma dica aos vestibulandos que, como Juliana Louzada, não cultivam o hábito continuado da leitura de jornais e revistas: “Façam uma revisão intensiva nos temas da atualidade, tanto do Brasil como do mundo, para poder escrever o que pensam com propriedade, sem cair no senso comum”.

Comentários

Comentários