Politicando

‘Desmistura’


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A filosofia de Maneco da Taquara, cabo eleitoral com muita honra, e flamenguista:

Maneco era um mulato que morava na Taquara, um bairro perto de Jacarepaguá. Ele trabalhava duro para o Sergio Magalhães. Conheci-o na Santa Casa. Um dia ajudei-o numa panfletagem no Mourisco. Um loirão espinhudo com a farda do Lacerda gritou:

- Ei, pirralho! Aqui só dá Lacerda, morou?

Mas Maneco gritou mais alto do outro canto e ficou elas por elas.

No Mourisco está a estátua do Manekeen doada pelo governo da Holanda. Ela retrata um menininho fazendo pipi.

Terminado o expediente, tomando uma cerveja com manjuba, Maneco filosofa:

- Se a gente pudesse colocar o retrato do Lacerda debaixo daquele pipi ia ser muito bacana!

- Mas não ia durar muito, argumentei . E ele:

- Mas ia dar prá curtir um bocado, né ô, sabichão!

Depois se vira e diz:

- Sabe, ô Paulista! A política é isso aí! Imagine essa cidade cheia de caminhos para o Catete, para o Senado, para a “gaiola de ouro” (Câmara de Vereadores do Rio). Cada um tem de descobrir o caminho certo. A maioria se estrepa! Mas tem muito neguinho que acerta. Um mineiro disse que em Minas tem uma cidade de 5 mil habitantes que deu 2 senadores. Imagine! Muita gente pensa que tá fazendo o que o povo quer. A coisa mais difícil é saber o que o povo quer. As vezes você pensa que é uma coisa e é outra diferente. Mas não tem mistério. Cada um tem de achar o caminho certo. No mundo, eles estão misturados igual macarronada. Mas existem os que os desmisturam da macarronada. Se Yansã me ajudar eu ainda desmisturo o meu! Ah, se desmisturo!... Vereador já servia..., diz, resignado. (Narrada por Rui Bertoti)

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