Com o respeito devido a analistas já reconhecidos e respeitados, entendo como um pouco precipitadas análises até agora surgidas a respeito dos resultados das eleições municipais. Sobretudo, espero que não se trate de uma tomada de posição político-partidária.
Pleito municipal tem características próprias, no qual muito mais que os demais, o fator pessoal é preponderante. É lógico que esse aspecto é de maior validade e peso onde o nível sóciocultural é mais elevado.
Nesses municípios, as frustrações surgem com força redobrada e a tendência por mudanças se faz presente em elevado grau. Talvez seja esse o raciocínio válido para a região Sul-Sudeste onde a votação do PT foi, proporcionalmente, menor que aquela da região Norte-Nordeste.
Na primeira, as exigências por transporte público eficiente, sistema de saúde resolutivo, ampliação do saneamento básico, além da contenção dos elevados níveis de violência, é emergente. Não se reelege ou se elege quem representa o poder presente, independente do aspecto de haver realizado algo ou não. A esperança é pelo atendimento integral daquelas reivindicações e a renovação é a solução enxergada.
No Norte-Nordeste, onde a qualidade de vida é mais sombria, não só no Interior como também nas grandes cidades, o abandono público aos cidadãos durante muito tempo foi tão intenso que a oferta de pequenas melhorias muito representa. Daí, penso eu, manter-se os atuais prefeitos encontra respaldo popular.
No Sul-Sudeste, os prefeitos eleitos não terão nem 24 meses para honrar o enorme rol de promessas, sob pena de seu apoio a eventuais candidatos a governador e presidente da República, aliás já lançados, serem penalizados. Essa afirmativa é sólida principalmente onde o governador afirmou: eu aqui, ele lá. Haverá tantos recursos assim?
No outro Brasil, o do Norte-Nordeste, essa tarefa parece-me mais fácil, pois aos que pouco têm, a ajuda mínima muito significa. Por favor, que não se entenda essa afirmação como discriminatória. É só um diagnóstico.
Por tudo isso e para não me alongar, pois uma análise, mesmo despretensiosa, poderia ser extensa, é que política e nuvens se confundem: mudam a todo momento. Pelo que ouvi dizer, é como se expressava o saudoso Ulysses Guimarães.
O autor, Luiz Fernando Ribeiro, é médico