Política

Vereadores pregam governabilidade

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Se depender da vontade dos vereadores da Câmara Municipal de Bauru, o prefeito eleito Tuga Angerami (PDT) terá tranqüilidade para governar a cidade. Pelo menos no seu primeiro ano de gestão. Ontem, nos discursos dos vereadores na primeira sessão legislativa após a eleição de domingo foram empregadas palavras como “conciliação” e “coalizão”.

O tom das falas remete ao longo período de conturbação da qual o principal protagonista foi o Poder Executivo. As duas administrações anteriores a que vai começar em janeiro do ano que vem (Antonio Izzo Filho e Nilson Costa) registraram denúncias e cassações de mandato em ambos os poderes (Executivo e Legislativo).

O que se percebe é que haverá a busca da sintonia entre vereadores e prefeito para recuperar o tempo perdido nos últimos oito anos. “Precisamos de um governo de coalizão para o desenvolvimento de Bauru”, prega o vereador José Clemente Rezende (PDT), cotado para assumir a liderança do prefeito na Câmara.

O pedetista chegou a convocar publicamente o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) para atuar como “elo” entre a futura administração municipal e o governo do Estado, comandado pelo governador Geraldo Alckmin, filiado ao mesmo partido do parlamentar.

Respeito

Os discursos favoráveis à instalação de um clima de boas relações entre a Câmara e o Palácio das Cerejeiras também é vislumbrado até mesmo por parlamentares que, em tese, devem fazer oposição ao prefeito eleito Tuga Angerami.

O vereador João Parreira (PSDB) enquadra-se nesse perfil. Ao usar a tribuna livre, o tucano disse que recebeu o resultado da eleição de domingo com “respeito”. “Sei respeitar o resultado que veio da população. A próxima administração municipal deve ser tranqüila, muito diferente da atual”, prevê.

O parlamentar do PSDB deseja “êxito” ao novo governo que vai se instalar a partir de 1 de janeiro, mas não deixa de fazer suas considerações. “Administrar Bauru é um verdadeiro desafio. Há problemas a serem resolvidos que não dependem de verbas”, opina.

Ele observa, por exemplo, que a Secretaria Municipal de Saúde tem uma verba de R$ 44 milhões, que se bem usada poderá mudar o panorama do setor na cidade. “A próxima administração também tem como resolver e acabar com os buracos nas ruas. São problemas que dependem de um bom gerenciamento”, comenta.

Bem ao seu estilo, Parreira não deixa de traçar como deve ser o perfil de atuação do novo prefeito de Bauru. “Ele tem que entender que não é a rainha da Inglaterra. O prefeito tem que ser um aglutinador, tem que descer do trono”, alfineta.

E até mesmo quem não foi reeleito e é filiado a um partido que compôs a aliança da candidatura Caio Coube (PSDB) prega votos de uma boa administração. “Quando o Tuga foi prefeito (1983-1988) eu era vereador nesta Casa de Leis. O caminhar dele sempre foi de uma pessoa honesta e íntegra. Ele vai conseguir desenvolver um bom governo para a cidade”, prevê José Walter Lelo Rodrigues (PFL).

Conciliação

O vereador mais votado da história política de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), reforça a lista de parlamentares que quer colocar um ponto final na má-fase administrativa do município.

“Por fazer parte do grupo que elegeu o futuro prefeito Tuga Angerami junto com seu vice, Renato Purini, vamos tentar estar compondo uma bancada que dê suporte à administração. E vamos torcer para que ela possa fazer uma conciliação e possa pacificar a situação política existente em nossa cidade”, analisa.

Outro parlamentar que deve compor a bancada de oposição a Tuga, Paulo Eduardo Martins Neto (PFL), também tem um discurso desarmado com relação à futura gestão. “O meu procedimento e o do PFL serão os mesmos adotados nos últimos quatro anos. O que é bom para Bauru, vamos apoiar e aprovar. Temos que alavancar o progresso do município. Nos casos contrários, a postura será diferente”, diz.

Sem perder a marca registrada de fiscalizador e de defensor da legalidade, o vereador Toninho Garmes (PSDB) afirma que vai atuar, na próxima legislatura, no mesmo estilo dos últimos oito anos. “Não vou alterar um milímetro do meu comportamento. Vou fiscalizar até as últimas conseqüências com as leis que beneficiam a população. O vereador é eleito para defender o povo e não para fazer as vontades do prefeito”, opina o tucano.

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