A cesta básica de serviços da Telefonica, que inclui habilitação, assinatura e pulso, subiu 15,59% em 2004, mais do que o índice de 14,34% aplicado no ano passado. O último aumento autorizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) passou a vigorar no dia 1 de novembro e reajustou a tarifa em 4,17%.
A conta de telefone teria subido menos em relação a 2003 caso uma disputa judicial não tivesse adiado para este ano parte do reajuste que deveria ter sido incorporado à tarifa naquela época.
No ano passado, a Anatel anunciou um aumento de 25% na cesta básica de serviços da Telefonica, baseada no Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, da Fundação Getulio Vargas (IGP-DI), indexador previsto no contrato com as operadoras. Uma liminar da Justiça Federal determinou, no entanto, que fosse utilizado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em junho desse ano, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) resolveu que o IGP-DI é o indexador que deve ser utilizado para o aumento das contas de telefone. O governo negociou com as operadoras, então, um reajuste complementar de 8,7%, aplicado em duas parcelas, a última delas aplicada neste mês.
Com tantos aumentos, restou ao consumidor mudar seus hábitos. A dona de casa Paula da Silva Sabino cortou os interurbanos que costumava fazer para a irmã, que mora na Paraíba. “Vivo com vontade de conversar com ela, mas procuro economizar o máximo possível”, relata.
Paula se mostra revoltada com os reajustes constantes. “Gostaria que o salário do meu marido subisse do mesmo jeito que essas tarifas”, destaca.
Outras tarifas
Enquanto o telefone apresentou reajuste maior em 2004, a conta de água subiu menos do que no ano passado, 12,5% contra 30% para os consumidores residenciais. Da mesma forma, a energia elétrica teve aumento médio de 12,74% este ano, contra 19,55% em 2003.
O economista Fernando Pinho lembra que os reajustes das tarifas públicas acabam atingindo diretamente o bolso do consumidor. “Até porque eles foram superiores ao aumento médio que a maioria das categorias profissionais teve”, argumenta.
Pinho critica os indexadores escolhidos pelo governo federal quando decidiu privatizar os setores de telefonia e energia elétrica. “O IGP-DI e o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) são fortemente afetados pela variação cambial”, destaca.
Ele acredita que o aumento das tarifas públicas acabará afetando até mesmo as compras de final de ano. “Esse dinheiro que será comprometido com os reajustes terá que sair de outro lugar”, opina.