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Fehidro destina R$ 470 mil para recuperar mata ciliar

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) destinou R$ 470 mil para a recuperação de trechos da mata ciliar do rio Batalha e dos córregos Água da Ressaca e Água da Forquilha, todos em Bauru. O plantio das mudas de árvores terá início neste mês e será coordenado pelas organizações não-governamentais (ONGs) Fórum Pró-Batalha e Instituto Ambiental Vidágua.

O coordenador de projetos do Fórum Pró-Batalha, engenheiro agrônomo David Geraldo Pompei, explica que a verba a fundo perdido foi obtida a partir da aprovação de projetos encaminhados pelas ONGs aos Comitês das Bacias Hidrográficas Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha.

Do total de R$ 470 mil, cerca de R$ 440 mil serão repassados pelo Fehidro para os projetos desenvolvidos pelo Fórum Pró-Batalha e o restante para o Vidágua. Somando-se a contrapartida de 25% que as ONGs precisam oferecer, serão investidos R$ 630 mil.

O plantio de mudas irá durar 18 meses e atingirá mais de 50 hectares. No Água da Ressaca, ele será feito entre o cemitério Jardim do Ypê e a avenida Comendador José da Silva Martha. Um outro trecho do córrego já foi recuperado também com recursos do Fehidro.

No Água da Forquilha, a mata ciliar será restaurada próximo ao trecho onde o córrego deságua no rio Bauru. Já no Batalha, as mudas serão plantadas nas proximidades da rodovia Bauru-Ipaussu.

Pompei afirma que a iniciativa complementa outros seis projetos coordenados pelas ONGs e que já foram concluídos ou estão em sua fase final. Um deles prevê a recuperação das margens do córrego do Barreirinho e conta, inclusive, com o apoio dos moradores da região do manancial.

De acordo com ele, investir na mata ciliar é fundamental. “Ela protege o rio do assoreamento, que é a entrada da areia para o seu leito, e do solapamento, que é a retirada de barrancos inteiros. Além disso, suas raízes também absorvem toda a impureza orgânica, evitando que o nitrogênio e o fósforo provoquem o crescimento desordenado e acelerado das algas, causando a mudança da qualidade da água”, argumenta.

Prioridade

O advogado Dorival Aparecido Mansano, que a exemplo de Pompei é membro dos comitês Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha, conta que a aprovação dos projetos das ONGs bauruenses foi possível porque o reflorestamento é a segunda prioridade dos comitês, perdendo apenas para o tratamento de esgoto. “Isso também ocorre nas demais bacias”, relata.

Apesar da cidade ainda não destinar corretamente seus dejetos, Pompei afirma que a construção da Estação de Tratamento de Esgoto a partir de projetos encaminhados aos comitês seria inviável. “Eles têm verba anual de cerca de R$ 1 milhão e, infelizmente, Bauru é uma cidade grande e que precisará de cerca de R$ 60 milhões para implantar esse processo”, justifica.

Os comitês Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha contam, juntos, com 60 municípios e são formados por representantes das prefeituras e de segmentos da sociedade.

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Concurso

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Tietê-Jacaré promoveu este ano a segunda edição de um concurso ambiental destinado a estudantes das cidades que integram o órgão. A vencedora foi a bauruense Isadora Müller Silva, aluna da 7ª série da escola estadual Mercedes Paes Bueno.

Ela conta que escreveu sobre a importância dos rios Bauru, Tietê e Paraná. “As pessoas têm que se conscientizar sobre a preservação da natureza. Se elas continuarem a degradá-la, daqui a pouco não vai existir mais nada”, opina.

Como prêmio, Isadora ganhou um passeio pelo rio Tietê. Ela esteve acompanhada dos também bauruenses Daniel Paulino de Oliveira, aluno da escola estadual Carolina Lopes Almeida que ficou em 13º lugar, e João Paulo Pavon, que estuda na escola estadual Mercedes Paes Bueno e obteve a 17ª colocação.

“O concurso é feito para despertar o olhar dos alunos e da sociedade para os recursos hídricos. O Brasil tem 17% das águas doces superficiais do mundo e estamos sobre o maior aquífero do mundo, mas a água é um recurso findável e é preciso saber utilizá-la”, destaca o engenheiro agrônomo David Geraldo Pompei, membro do comitê.

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