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Como fazer 'tuning' responsável

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

“O tuning é qualquer alteração que transforme e deixe o veículo diferente de fábrica, não necessariamente apenas na aparência. Ele já virou moda, mas como tudo deve ser saudável e, principalmente, seguro. Só que há pessoas que cometem verdadeiras loucuras por não saberem como um carro foi projetado e quais as conseqüências que essas alterações podem gerar. Por isso, para mexer no automóvel é preciso seguir muitos critérios.”

A afirmação é do engenheiro mecânico bauruense Marcos Serra Negra Camerini e resume os objetivos do curso ministrado por ele em Bauru, no último dia 28, no Teatro “Edson Celulari”, sobre o assunto. O evento abordou, entre outros temas, os critérios de engenharia e compromissos técnicos de desempenho, durabilidade, legislação e segurança necessários para transformações veiculares e, principalmente, o que nunca se fazer no “tuning”.

Segundo Camerini, os motivos geradores da “onda” de personalização são vários e envolvem aspectos como desejos de individualidade, modismos ou necessidades específicas. Mas, acrescenta ele, poucos adeptos do “tuning” levam em consideração os princípios de engenharia fundamentais para garantir e otimizar o desempenho, a durabilidade e a segurança dos veículos.

“Antes de se executar qualquer modificação, é obrigatório pensar que os automóveis possuem dimensionamentos, funcionalidades, ergonomias (ciência que estuda o posicionamento do ser humano no veículo) e vida útil específicas, que nunca devem ser esquecidas em nome, especialmente, da segurança e do respeito à lei ao rodar”, enfatiza Camerini.

Além disso, argumenta o engenheiro, para um projeto de “tuning” bem-sucedido e responsável é igualmente importante estabelecer o tipo de utilização do automóvel. “Onde esse carro andará? Em vias urbanas dotadas de bons ou maus pisos? Em competições? Será apenas para exposição? As respostas a estes questionamentos são primordiais para o desenvolvimento de um bom veículo tunado”, considera.

O engenheiro sustenta, ainda, que até mesmo os estabelecimentos especializados no ramo devem “jogar limpo” com clientes interessados em personalizar seus veículos que, muitas vezes, são leigos. â€œÉ preciso ter ética e respeito com o consumidor, explicando o que determinada alteração pode gerar no veículo”, frisa Camerini.

Ele cita, por exemplo, as repotenciações de motores, serviços que elevam a “cavalaria” do automóvel. “O dono ou seus empregados precisam esclarecer aos clientes o que eles ganham e perdem com o aumento da potência do motor, além das conseqüências. Neste caso, é mandatório explicar que dá para se executá-las, mas também que a vida útil do propulsor diminuirá”, enfatiza o engenheiro.

Precauções

Admiradores do “tuning” automotivo entrevistados pelo AutoMercado & Cia são unânimes em apontar a necessidade de cumprir com os compromissos enfatizados no curso para garantir, principalmente, a segurança. É o caso do jovem bauruense Ulysses Renato Tamaki Rodrigues, dono de um Renault Clio com equipamentos que o deixaram com visual “invocado”: spoilers, saias, grade frontral de alumínio, manoplas e pedaleiras esportivas, tapetes tipo “chão de ônibus” e neon embaixo do carro.

Ele conta que para instalar os acessórios no veículo deu preferência para o kit de personalização original da montadora de origem francesa. “Não quero ter em meu carro nada que possa comprometer a eficiência, a segurança e a dirigibilidade e, por isso, optei pelos equipamentos de fábrica”, considera. Seu próximo passo será adaptar um turbo no motor, mas mesmo assim ele garante que terá cautela. “Vou ficar atento às alterações para que elas não influenciem negativamente em nada”, frisa.

Outro jovem bauruense, Alex Alan Aguiar, promete tomar cuidado quando for “tunar” seu automóvel, um Ford Fiesta que ainda está “pelado” de acessórios. “Quero colocar rodas, pedaleiras, volante e manoplas esportivas, além de som, spoilers, aerofólio e saias. Mas farei da segurança a prioridade número um no momento das instalações”, ressalta.

Desta forma, Alex revela que jamais faria modificações no motor e, principalmente, na suspensão. “Além de ter a durabilidade do propulsor diminuída, posso ser autuado por causa da suspensão e ainda ter a dirigibilidade afetada”, pondera.

Já Guilherme Henrique Alves revela que jamais colocaria um turbo em seu veículo, que ainda não foi “tunado”, sem antes analisar o conjunto do automóvel como um todo. “Temos de saber os limites entre o que podemos fazer e o que nunca efetuarmos no tuning”, conclui.

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