Bioarquitetura é outro
conceito relacionado aos edifícios
ecologicamente corretos
que visa harmonia com a
natureza em todas as etapas
da construção.
“Eu considero que bioarquitetura
é todo o processo,
desde a concepção à manutenção.
Bioarquitetura é o
processo de construção que
protege a vida do início ao
fim. O resultado final tem de
ser agradável, aconchegante,
confortável”, explica o arquiteto
César Augusto da Costa.
Ele trabalha com oficinas,
cursos outras atividades educativas
sobre técnicas de
construção da bioarquitetura,
como o tijolo de adobe e o
cob, entre outras.
O arquiteto explica que
uma construção auto-sustentável
pode ser feita a partir
de materiais e técnicas tradicionais,
com apenas alguns
aspectos voltados para a ecologia,
como captação de energia
solar ou reaproveitamento
de água. Ela não necessariamente
considera todo o
processo, diferentemente da
bioarquitetura.
César afirma que o modo
tradicional de construção no
País, que utiliza cimento e tijolos
queimados, é nocivo ao
meio ambiente. “Para produzir
mil tijolos, são queimadas
15 árvores adultas. Isso é desmatamento
e emissão de gás
carbônico na atmosfera”, diz.
“E o cimento, da forma como
é utilizado hoje, também
provoca danos. No setor industrial,
é o terceiro maior
emissor de gás carbônico. Isso
é causador do efeito estufa,
da chuva ácida, do aquecimento
global. O planeta já
sente hoje os efeitos de como
o homem vem construindo”,
acrescenta.
Já as técnicas da bioarquitetura
tiram proveito de materiais
naturais de forma sustentável.
“O manejo do material
é diferente. É um manejo nãoagressivo”,
frisa o arquiteto.
Muitas técnicas são antigas.
É o caso do adobe (terra
crua), que é milenar e é utilizado
para confeccionar tijolos
e rejuntes. Cidades históricas
brasileiras, por exemplo,
foram construídas com
adobe, como Ouro Preto.
Com a adoção do cimento
nas construções, o adobe foi
esquecido.
Uma das vantagens das
construções com terra é que
elas são biodegradáveis. “Se
você demolir a casa, você coloca
o material direto na natureza”,
afirma.
Entre as técnicas da bioarquitetura,
as mais utilizadas
são as que empregam terra
crua. Mas há outras que utilizam
também o bambu, entre
outros materiais. Cob e adobe
a são técnicas que utilizam
terra e argila.
“A gente não tem noção
do potencial da construção
com terra. Pode ser ao mesmo
tempo uma coisa ecológica,
bonita e sofisticada. É
possível fazer paredes com
miolos de terra, utilizando tijolos
de adobe, por exemplo,
e revestimento tradicional”,
explica a estudante de arquitetura
Ana Carolina da Costa
Moraes.
Ela destaca que a bioarquitetura
pode ser empregada na
construção de casas populares
devido ao custo, à possibilidade
dos próprios moradores
participarem do processo
de construção e à questão estética.
“Os conjuntos habitacionais
com terra ficam mais
estéticos. As casas têm um
padrão, mas são artesanais e
têm arte”, expõe.
Em Bauru, entretanto,
não são conhecidas construções
com esse perfil já que as
preocupações da bioarquitetura
não fazem parte da cultura
brasileira, de modo geral.
Por outro lado, no mundo
já existem várias experiências
de obras ecológicas. “Na
Arábia Saudita e em Marrocos
há cidades inteiras construídas
com terra. Em Portugal,
no México e nos Estados
Unidos há empresas que trabalham
só com construção
de terra”, afirma César.
O arquiteto acredita na possibilidade
de que casas ecológicas
comecem a ser construídas
localmente. “Não é utopia
achar que casas de Bauru podem
ser construídas com adobe.
É só uma questão de começar.
No princípio, as pessoas
não vêem isso como possível
por causa das coisas com as
quais estamos acostumados.
É só uma questão de escolha”,
enfatiza.
César participará, no início
de 2005, da criação de um
bosque localizado na sede do
Instituto Ambiental Vidágua
que será construído com técnicas
ecológicas.
Serviço
Outras informações sobre
oficinas e cursos sobre técnicas
de construções ecológicas
ou consultoria sobre bioarquitetura
podem ser obtidas através
dos telefones (14)
3281-1808 e (14) 9713-7483.