Bairros

Bioarquitetura usa materiais naturais

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

“Eu considero que bioarquitetura

é todo o processo,

desde a concepção à manutenção.

Bioarquitetura é o

processo de construção que

protege a vida do início ao

fim. O resultado final tem de

ser agradável, aconchegante,

confortável”, explica o arquiteto

César Augusto da Costa.

Ele trabalha com oficinas,

cursos outras atividades educativas

sobre técnicas de

construção da bioarquitetura,

como o tijolo de adobe e o

cob, entre outras.

O arquiteto explica que

uma construção auto-sustentável

pode ser feita a partir

de materiais e técnicas tradicionais,

com apenas alguns

aspectos voltados para a ecologia,

como captação de energia

solar ou reaproveitamento

de água. Ela não necessariamente

considera todo o

processo, diferentemente da

bioarquitetura.

César afirma que o modo

tradicional de construção no

País, que utiliza cimento e tijolos

queimados, é nocivo ao

meio ambiente. “Para produzir

mil tijolos, são queimadas

15 árvores adultas. Isso é desmatamento

e emissão de gás

carbônico na atmosfera”, diz.

“E o cimento, da forma como

é utilizado hoje, também

provoca danos. No setor industrial,

é o terceiro maior

emissor de gás carbônico. Isso

é causador do efeito estufa,

da chuva ácida, do aquecimento

global. O planeta já

sente hoje os efeitos de como

o homem vem construindo”,

acrescenta.

Já as técnicas da bioarquitetura

tiram proveito de materiais

naturais de forma sustentável.

“O manejo do material

é diferente. É um manejo nãoagressivo”,

frisa o arquiteto.

Muitas técnicas são antigas.

É o caso do adobe (terra

crua), que é milenar e é utilizado

para confeccionar tijolos

e rejuntes. Cidades históricas

brasileiras, por exemplo,

foram construídas com

adobe, como Ouro Preto.

Com a adoção do cimento

nas construções, o adobe foi

esquecido.

Uma das vantagens das

construções com terra é que

elas são biodegradáveis. “Se

você demolir a casa, você coloca

o material direto na natureza”,

afirma.

Entre as técnicas da bioarquitetura,

as mais utilizadas

são as que empregam terra

crua. Mas há outras que utilizam

também o bambu, entre

outros materiais. Cob e adobe

a são técnicas que utilizam

terra e argila.

“A gente não tem noção

do potencial da construção

com terra. Pode ser ao mesmo

tempo uma coisa ecológica,

bonita e sofisticada. É

possível fazer paredes com

miolos de terra, utilizando tijolos

de adobe, por exemplo,

e revestimento tradicional”,

explica a estudante de arquitetura

Ana Carolina da Costa

Moraes.

Ela destaca que a bioarquitetura

pode ser empregada na

construção de casas populares

devido ao custo, à possibilidade

dos próprios moradores

participarem do processo

de construção e à questão estética.

“Os conjuntos habitacionais

com terra ficam mais

estéticos. As casas têm um

padrão, mas são artesanais e

têm arte”, expõe.

Em Bauru, entretanto,

não são conhecidas construções

com esse perfil já que as

preocupações da bioarquitetura

não fazem parte da cultura

brasileira, de modo geral.

Por outro lado, no mundo

já existem várias experiências

de obras ecológicas. “Na

Arábia Saudita e em Marrocos

há cidades inteiras construídas

com terra. Em Portugal,

no México e nos Estados

Unidos há empresas que trabalham

só com construção

de terra”, afirma César.

O arquiteto acredita na possibilidade

de que casas ecológicas

comecem a ser construídas

localmente. “Não é utopia

achar que casas de Bauru podem

ser construídas com adobe.

É só uma questão de começar.

No princípio, as pessoas

não vêem isso como possível

por causa das coisas com as

quais estamos acostumados.

É só uma questão de escolha”,

enfatiza.

César participará, no início

de 2005, da criação de um

bosque localizado na sede do

Instituto Ambiental Vidágua

que será construído com técnicas

ecológicas.

Serviço

Outras informações sobre

oficinas e cursos sobre técnicas

de construções ecológicas

ou consultoria sobre bioarquitetura

podem ser obtidas através

dos telefones (14)

3281-1808 e (14) 9713-7483.

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