Bairros

'Obras verdes' começam a surgir

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

auto-sustentável estão começando

a ser empregadas

na cidade.

Um exemplo encontrado pela

equipe do JC nos Bairros é

uma casa que está sendo construída

na Vila Aviação. Ela terá

utilização de energia solar e fará

reaproveitamento de água da

chuva, entre outros aspectos.

O aproveitamento da

água pluvial é feito através

de uma cisterna. Trata-se de

um espaço semelhante a uma

piscina, mas é subterrâneo.

A água das calhas é direcionada

para lá e posteriormente

é bombeada para utilização

nos vasos sanitários e irrigação

do jardim.

O pé direito alto e grandes

janelas instaladas em paredes

específicas, calculadas

de acordo com o posicionamento

da casa no terreno, favorecem

a ventilação do imóvel.

O ar quente sobe e não

esquenta a casa inteira.

Grandes janelas de vidro

favorecem a entrada de iluminação

natural e paredes duplas

com isolante térmico

melhoram o conforto térmico

e acústico da casa.

Para evitar o uso de aquecedores

elétricos no inverno,

está sendo construída uma espécie

de lareira que utiliza

quantidade mínima de lenha

e, devido ao seu posicionamento

estratégico no imóvel,

aquece todos os cômodos da

casa. O projeto foi inspirado

em casas alemãs.

“Isso também é uma forma

ecológica de fazer as coisas.

Quanto mais aberturas a

casa tiver, haverá menos gastos

de energia”, explica o arquiteto

Maurício Costa.

A área externa da casa

também recebeu um cuidado

especial - foram preservadas

grandes áreas com grama, ou

seja, permeáveis, para absorver

a água pluvial.

“Às vezes, a preocupação

ecológica não está muito visível.

Mas são situações em que

você contribui a médio e longo

prazos e não custam tanto

assim”, observa Maurício.

Outro exemplo de obra

ecologicamente correta é a nova

sede de uma imobiliária

que está sendo construída na

avenida Getúlio Vargas. O

edifício aproveita iluminação

natural, reaproveita a água da

chuva que cai no telhado e faz

um pré-tratamento do esgoto

produzido no local.

“Eu tentei fazer algo diferente

porque eu acho que uma

imobiliária tem de dar o exemplo

ou, pelo menos, algumas

dicas”, diz Eduardo Cury, proprietário

do imóvel.

A preocupação com a

questão da água é marcante

na obra. Um aspecto que

chama a atenção é a existência

de quatro caixas d’água,

que totalizam capacidade

para 13 mil litros de água. É

que a estrutura foi projetada

para que toda água que caia

sobre o telhado retorne para

o imóvel e seja reaproveitada

nos vasos sanitários dos

quatro banheiros e na limpeza

do chão.

Ou seja, uma caixa

d’água de 1.000 litros é utilizada

para receber água tratada

fornecida pelo Departamento

de Água e Esgoto

(DAE), que será utilizada

apenas na cozinha e para lavar

as mãos. As demais

(duas de cinco mil litros e

uma de dois mil litros) armazenam

água da chuva.

“Eu sempre pensei que a

gente usa uma água de primeira,

fluoretada e clorada,

para eliminar dejetos nos vasos

sanitários. Eu sempre

achei isso um pouco conflitante

com a nossa realidade”,

observa Eduardo.

A água da rua só será utilizada

nos banheiros quando

não houver água pluvial nas

caixas. “Os 12 mil litros de

água duram por mais de 60

dias”, frisa o engenheiro.

Ele salienta que seu imóvel

não contribuirá com as

enchentes observadas na cidade.

“Todo o primeiro impacto

da chuva fica armazenado.

Se 50% dos imóveis

comerciais da cidade e da região

mais alta tivessem esse

tipo de aproveitamento,

além de ajudar o meio ambiente,

acabaria com as enchentes

de Bauru”, acredita.

Os telhados do imóvel foram

feitos com desníveis

com utilização de vidro para

aproveitamento de iluminação

natural e redução do consumo

de energia elétrica.

Além disso, foram escolhidas

telhas de um material

que funciona como isolante

térmico, evitando aquecimento

interno. Pé direito alto

e grandes janelas na parte

superior das paredes favorecem

a ventilação dos ambientes,

colaborando com a

manutenção da temperatura

interna.

O esgoto produzido no local

não é jogado diretamente

na rede pública. Ele passa

por três caixas de inspeção

no próprio imóvel que diluem

o esgoto e filtram parte

da água.

Comentários

Comentários