“Imóveis verdes” estão chegando a Bauru. Não se trata
de uma nova moda relacionada
à cor das paredes dos imóveis, mas de uma nova forma
de pensar a construção, de
forma a reduzir os impactos
no meio ambiente.
As expressões utilizadas para
definir esta maneira diferente de
criar imóveis são variadas - arquitetura
verde, arquitetura ecológica,
bioconstrução, construção alternativa,
arquitetura auto-sustentável,
entre outras. Com pequenas
variações, todos estes conceitos
são semelhantes.
Visam a necessidade de integração
da obra com seu entorno,
utilizando materiais e técnicas
locais, minimizando o impacto
da construção no meio ambiente,
reduzindo o consumo de energia
para construção e manutenção
e utilizando meios energéticos
alternativos.
Exemplos de como isso pode
ser aplicado na prática são
captação de energia solar, reaproveitamento
de água, adequação
em relação ao clima local
para aproveitamento de ventos
e construções com terra crua (tijolos
de adobe).
No Brasil, a onda da arquitetura
ecologicamente correta
é recente, mas em outros países
ela já faz parte da cultura
e é refletida no modo de projetar
e construir casas e prédios.
Ou seja, casa de barro não
é mais sinônimo de atraso. Pelo
contrário, as construções
ecológicas, consideradas a
vanguarda da arquitetura, demonstram
que respeitar a natureza
e viver bem é perfeitamente
possível e até barato.
Nesse quesito, Bauru ainda
está engatinhando. Mas já começam
a aparecer no cenário urbano
as primeiras iniciativas que
demonstram preocupações com
a questão ecológica.
Uma farmácia de manipulação
que funciona na região central
de Bauru, por exemplo, tem
sistema próprio de reutilização
de água internamente e utiliza
gás natural e luz solar para poupar
energia elétrica.
Uma casa que está sendo
construída na Vila Aviação,
por exemplo, foi projetada
com uma cisterna (espécie de
caixa d’água subterrânea) para
captar água da chuva e reutilizá-
la na irrigação de jardins
e nos vasos sanitários.
O imóvel é repleto de janelas
e vãos de vidro para aproveitamento
de iluminação natural.
“Isso também é uma forma
ecológica de fazer as coisas.
Quanto mais aberturas tiver
na casa, haverá menos gastos
de energia”, explica o arquiteto
Maurício Costa.
Ele afirma que desconhece
projetos com preocupações semelhates
em Bauru. “Ninguém
fez isso aqui em Bauru ainda.
Tem apenas algumas preocupações
voltadas para desperdício”,
frisa.
Outro exemplo é a sede de
uma imobiliária que está sendo
construída na avenida Getúlio
Vargas e conta com sistema de
captação de água pluvial e até
pré-tratamento de esgoto.
“Eu penseiemfazerumimóvel
auto-sustentável, quemedesse
o mínimo de despesa mensal
e ao mesmo tempo que servisse
de inspiração para algumas pessoas.
Isso é uma solução para vários
problemas da cidade”, expõe
o engenheiro Eduardo
Cury, proprietário do imóvel.
José Fernando e Anísia Motta
moram em uma casa na Vila
Aviação que tem captação de
energia solar. Além disso, boa
parte do terreno foi aproveitada
para preservar vegetação nativa
de cerrado. “É a primeira
vez que temos energia solar em
casa e estamos adorando. Não
tenho nenhum tipo de problema”,
destaca.