De acordo com o cardiologista Antonio Estéfano Germano, de Bauru, pessoas saudáveis devem iniciar um check-up cardiológico por volta dos 35 anos e, a partir daí, repeti-lo regularmente a cada ano. A regra muda quando há antecedentes na família, sintomas suspeitos ou diagnósticos anteriores.
O primeiro passo num check-up é conversar com o médico sobre hábitos pessoais e histórico de doenças pessoais e na família. Então, o especialista vai avaliar algumas condições físicas que predisporiam o indivíduo às doenças cardiovasculares.
Para isso, o especialista pode pedir um eletrocardiograma. Trata-se de um teste simples e indolor, que dura aproximadamente dez minutos. Por meio de eletrodos colados em várias regiões do corpo, um aparelho registra a freqüência dos batimentos cardíacos, a oxigenação e a condução de eletricidade.
O médico também pode pedir um teste ergométrico ou ecocardiograma de esforço. Vários aparelhos são ligados ao corpo do paciente para monitorar diversas funções orgânicas, como respiração, pressão arterial, freqüência cardíaca em diferentes derivações. Então, o paciente vai andar sobre uma esteira elétrica ou pedalar uma bicicleta ergométrica.
O esforço da atividade é progressivamente aumentado em velocidade e dificuldade (mais peso no pedal ou maior inclinação na esteira) a cada dois ou três minutos, de modo que o profissional verifique qual a carga máxima que aquele organismo suporta sem que haja riscos à sua saúde.
“É um teste de esforço, feito simultaneamente a um eletrocardiograma. Além de determinar qual é o limite físico de cada pessoa, o equipamento detecta eventuais isquemias (falta de oxigenação por insuficiência circulatória)”, descreve o médico.
Além do teste físico, o médico também deve solicitar exames de sangue, para checar como estão os níveis de colesterol, triglicérides, glicemia e outros componentes.
“Quando o paciente tem uma patologia - diabetes, hipertensão, uma cardiopatia - precisamos acompanhar o tratamento. Se ele é hipertenso, por exemplo, o ideal é aferir a pressão uma vez por mês”, comenta.
Em caso de suspeita de doenças do coração, o médico também pode pedir exames mais sofisticados, inclusive com recursos da medicina nuclear, como a cintilografia do miocárdio ou o ecocardiograma de estresse.
“Você tem exames mais invasivos, em que um catéter é introduzido no organismo. Ele dá estímulos para verificar se há arritmias e, se houver, ele mesmo reverte a alteração e queima a área lesada”, descreve Germano.
Ele salienta que as doenças cardiovasculares têm aparecido cada vez mais cedo na população. “Porque o nível de estresse está aumentando e as pessoas não têm a mesma qualidade de vida de antigamente”, afirma.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e o Conselho Nacional de Ressuscitação, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no mundo. No Brasil, 160 mil pessoas morrem anualmente vitimadas por parada cardiorrespira-tória. Nos Estados Unidos e na Europa, esse número é ainda maior: 340 mil e 500 mil, respectivamente.
Além do check-up anual, pessoas sedentárias que pretendem iniciar uma atividade física ou praticantes regulares de atividades físicas que pretendem aumentar sua carga de exercícios também devem fazer uma avaliação cardiológica antes de se submeter ao esforço físico.
Os médicos salientam que a maioria das pessoas só procura o cardiologista quando tem sintomas e aí, a doença já pode estar instalada. Eles acrescentam que qualquer pessoa pode ser surpreendida com um ataque repentino e até a morte súbita.