Pessoas que passaram sete, oito anos com aparelhos e que não tiveram a arcada dentária corrigida. Outras que perderam vários dentes em vão ou ainda aquelas que tiveram piora do problema em razão de um tratamento mal feito. Os ortodontistas colecionam vários casos de pessoas que os procuram em busca de retratamento ortodôntico. Em alguns consultórios, elas representam 50% da clientela.
De acordo com o professor de ortodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), José Fernando Castanha Henriques, o reapinhamento dos dentes pode acontecer por uma infinidade de razões. A escolha de um profissional mal preparado, o uso inadequado dos aparelhos e a reacomodação natural dos dentes com o passar dos anos estão entre as principais.
Na opinião do ortodontista Kurt Faltin Júnior, presidente da Associação Brasileira de Odontologia, a principal razão para tantas recidivas é a falta de qualificação profisisonal. Segundo ele, o Brasil tem hoje 200 mil dentistas. Destes, apenas 5 mil têm especialização em ortodontia.
Na opinião do ortodontista Kurt Faltin Júnior, presidente da Associação Brasileira de Odontologia, a principal razão para tantas recidivas é a falta de qualificação profisisonal. Segundo ele, o Brasil tem hoje 200 mil dentistas. Destes, apenas 5 mil têm especialização em ortodontia.
No entanto, só um profissional com essa especialização conhece suficientemente as estruturas da face para fazer um diagnóstico, planejamento e tratamento adequados, considerando todas as possíveis intercorrências.
Henriques explica que os dentes são os menos culpados pela má oclusão. Eles respeitam uma posição que lhes foi imposta por ossos e músculos. “Além de estarem presos pelos ossos da mandíbula e do maxilar, os dentes são pressionados tanto de fora para dentro - pela musculatura da face (bochecha, lábios) - quanto de dentro para fora, pela língua. São músculos poderosos. Ou seja, apesar de estarem tortos do ponto de vista estético, eles estão perfeitamente em equilíbrio com as outras estruturas faciais. Estão onde músculos e ossos os mandaram ficar”, descreve.
Ele afirma que o especialista tem que alinhar os dentes respeitando e alterando esse equilíbrio o mínimo possível. “Do contrário, você vai tirar os aparelhos e os músculos empurrarão os dentes de volta para sua posição original (...). O especialista tem que ter olhos de águia. Tem que enxergar o futuro no presente para obter um resultado final mais estável”, salienta.
Respeitar a harmonia facial é outra condição importante. “Às vezes, a pessoa tem um problema ósseo acentuado, a mandíbula retraída, a maxila para a frente. Se tratar o paciente só com ortodontia, você até deixa os dentes alinhadinhos, mas a face não vai estar harmoniosa”, destaca.
Nesses casos, segundo os especialistas, pode ser necessária uma complementação cirúrgica. “Você alinha os dentes com aparelhos primeiro, depois faz uma intervenção ortognática para corrigir os ossos”, observa Henriques.
O ortodontista José Carlos Gaspar conta que já atendeu uma paciente que usou aparelho por 11 anos e o problema só pôde ser resolvido com a cirrugia.
Faltin Júnior ressalta que a cirurgia óssea só é indicada para adultos, quando o paciente já completou sua fase de crescimento facial, depois dos 16 anos de idade.