O médico Oswaldo Monteiro de Barros, supervisor da Oftalmologia do Estado de São Paulo, que trabalhou durante uma época na prefeitura da Capital, se lembra de quando foi encaminhado pelo prefeito para mostrar a um vereador da Vila Maria, chamado Jânio Quadros, as ações de saúde nos parques infantis.
De manhã bem cedo, ele pega uma condução e toca para a Vila Maria. Assim que chega, aperta a campainha do vereador e ouve de volta: “Já vou!”, meio rouco. Quinze minutos depois, Jânio aparece com sua marca inconfundível: cabelos desgrenhados, barba por fazer, alguma caspa nos ombros e seu tradicional capote. Sem cerimônia ele entra no carro e diz: “Toca!”
Mal a condução percorre os primeiros 100 metros e ele diz: “Pára!”. Em seguida , desce do carro e adentra a um botequim onde toma duas doses de aguardente. Depois retorna e diz: “Podemos seguir!”
No decorrer de sua vida, sempre que perguntado a respeito de opção política, Oswaldo dizia ao interlocutor: “Nunca votei, não voto e nem votarei num sujeito que às 7 da manhã toma duas talagadas de pinga!”
Observação muito rigorosa, a nosso ver, pois muitas vezes o político em campanha mostra em público não o que é, mas o que lhe interessa parecer. Isto é, exibe apenas os traços que ele imagina compor seu marketing pessoal.
Por falar nisso, em termos de mercadologia política, é difícil achar alguém que chegue perto de Jânio. Na opinião de milhares, ainda não surgiu ninguém. E muito dificilmente surgirá! (Narrada por Rui Bertoti)