O 16.º estágio para líderes do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), realizado no final de semana no Instituto Técnico e Educacional para Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo (Itetresp), em Agudos, reuniu cerca de 150 pessoas de todo o Estado.
Na avaliação do coordenador do evento, major da Polícia Militar (PM) Luiz Eduardo Pesce de Arruda, a troca de informações e a interação entre os estagiários foram os fatores que influenciaram positivamente no andamento dos trabalhos.
Ele lembra que o governo reconhece que, sem a participação ativa da comunidade, não há soluções viáveis para mudar o quadro de insegurança que hoje assola não só o Brasil, mas o mundo. “A participação do líder comunitário é essencial para mudar esse quadro. Os líderes de Consegs são pessoas especiais que escutam a comunidade e orientam o trabalho da polícia”, explica.
Além disso, frisa o coordenador do evento, os líderes de Conseg podem cooperar com projetos que diminuam problemas de natureza social e material que afetam a segurança, mas que a polícia não tem como resolver sozinha.
Ele cita como exemplo, a falta de iluminação, o desemprego, a existência de imóveis em ruínas que, embora não sejam problemas diretamente ligados à segurança pública, acabam influenciando nos índices de criminalidade.”
Os Consegs podem, segundo ele, através dos vereadores, das escolas, das indústrias, das empresas clubes de serviços e das igrejas a desenvolver projetos para crianças e adolescentes visando diminuir a criminalidade.
Líderes comunitários de outros Estados vieram a Agudos em busca de um modelo de Conseg que atenda a comunidade em seus anseios. “Além do pessoal de São Paulo, o treinamento reuniu líderes de Minas Gerais e Paraná”, contou o major.
Segundo ele, o modelo de Conseg adotado pelo Estado de São Paulo está sendo exportado para outros Estados. “O Estado do Paraná começou antes de nós e faz intercâmbio com a gente. Minas está adotando um modelo parecido com o de São Paulo. Isso faz com que o modelo se multiplique País afora.”
Arruda acha que os jovens estão sensibilizados pela violência urbana. “Crimes violentos onde o jovem figura como a principal vítima torna a violência um fato muito próximo deles. A partir daí, com o idealismo próprio, ele tenta bloquear esse movimento para diminuir o problema e empresta seus talentos para resolver.”
Debutando
O oriental Orien Tateshita deixou a Capital na sexta-feira e dedicou suas horas de lazer para a comunidade onde mora, Vila Ema, em São Paulo. Ele veio para o treinamento de líderes porque quer reverter a situação de violência instalada em seu bairro.
Tateshita já faz parte do Conseg da Vila Matilde, mas garante que aprendeu muito no encontro em Agudos. “O que me interessou foi a causa comunitária. Mas aprendi o que é um Conseg. Como ele funciona e como atua junto à comunidade. Os trabalhos comunitários que podem auxiliar e criar mecanismos para juntos construirmos uma sociedade melhor.”
Na Vila Ema, segundo ele, o índice de criminalidade é muito alto. “Por vários motivos, mas o principal deles é estrutural. Temos que mobilizar a comunidade a participar das discussões para reverter esse quadro”, diz.