Regional

Pesquisador cria superiogurte de soja

Por Vanessa Cusumano | Free lancer da Tribuna Impressa especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Araraquara - Um superiogurte feito a partir da espécie de grão amplamente produzida no Brasil é o resultado de 21 anos de pesquisas do professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara (130 quilômetros a Nordeste de Bauru), Elizeu Antônio Rossi.

À base de soja e fermentado com um microorganismo chamado “Enterococcus faecium”, o produto, único no mundo, já tem ação comprovada no combate ao LDL, o mau colesterol.

Dois aspectos colaboraram para o sucesso da empreitada, segundo o pesquisador. “Um, em função da presença dos componentes da soja, chamados isoflavonas; outro, em decorrência do microorganismo usado na fermentação, que permanece vivo e atuante mesmo depois de consumido”, diz.

Embora ainda não esteja no mercado, o Geração 2, como é chamado, também promete operar contra a osteoporose e o câncer de mama. “Já foi comprovado que o produto é realmente eficaz no controle do colesterol. No entanto, os estudos sobre seus efeitos benéficos no combate às outras duas enfermidades ainda não foram concluídos. Mesmo assim, estamos cada vez mais surpresos com as propriedades do produto”, explica o pesquisador.

Segundo ele, ainda é preciso avaliar a atuação do iogurte em seres humanos, a fim de comprovar sua eficácia no combate ao câncer e à osteoporose.

“Os testes realizados em ratos foram positivos, mas ainda precisamos estudar a reação do ser humano diante do produto. Temos, porém, alguns obstáculos, mas que devem ser transpostos nos próximos anos”, esclarece. Uma dessas barreiras, segundo ele, é a ausência de um hospital-escola na cidade, capaz de servir de terreno para as pesquisas.

Outro impedimento à conclusão do projeto esbarra na questão ética. “É muito complexo trabalhar com pessoas que já apresentam doenças como o câncer e a osteoporose, pois não é possível que elas parem o tratamento convencional”, afirma Rossi.

Para ele, contudo, a possibilidade dos testes em humanos não está descartada. “Talvez tenhamos que fazer as avaliações em outra cidade, que tenha a estrutura que precisamos”, pontua.

Participação argentina

Produtos como o superiogurte Geração 2 fazem parte de uma linha de alimentos funcionais, capazes de nutrir o organismo e de desempenhar um importante papel na redução de determinadas doenças. O professor Elizeu Antônio Rossi interessou-se pelo tema em 1983, quando começou a trabalhar com a tecnologia de laticínios.

Dez anos depois, ele passou a estudar os efeitos terapêuticos de fermentados, em parceria com pesquisadores argentinos do Centro de Referência para Lactobacilos (Cerela), núcleo voltado à produção de alimentos. Foi lá que ele encontrou um microorganismo com poder de reduzir em 18% o nível de colesterol no sangue.

O professor explica que após trazer uma amostra da bactéria a Araraquara, trabalhou no desenvolvimento do iogurte de soja fermentado. “Foi então que ficou constatado, de fato, que o produto é capaz de alterar o sistema imunológico”, diz. “A partir daí, começaram os estudos em cima do combate de outras doenças, como o câncer de mama e a osteoporose”, completa.

Quanto à produção em larga escala do iogurte de soja, Rossi mantém-se reticente, uma vez que o processo de patente da descoberta, iniciado há cerca de um ano, ainda não foi finalizado.

“Para que coloquemos o produto no mercado, dependemos de uma patente em conjunto entre Brasil e Argentina, o que deve demorar alguns anos para acontecer, afinal, há entraves financeiros e burocráticos”, analisa.

Portanto, o consumidor deve esperar ainda algum tempo para poder sentir os efeitos benéficos do superproduto redutor de colesterol desenvolvido em Araraquara.

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