Articulistas

As tarefas escolares e as nossas crianças


| Tempo de leitura: 3 min

Gostaria de tecer algumas considerações sobre um aspecto que tem me chamado a atenção em algumas de nossas escolas no âmbito, principalmente, do ensino fundamental. Aspecto que parece estar sendo esquecido, ou então, pouco valorizado. Percebo que, às vezes, a teoria é muito bonita e a prática um tanto feia. Sem apontar diretamente defeitos ou culpados, uma vez que esta é tão somente uma opinião pessoal, desejo demonstrar o que considero importante num momento tão delicado da vida de nossas crianças.

Quando geramos nossos filhos e os parimos, percebemos que temos nas mãos verdadeiros diamantes. Ainda assim, desde logo sentimos que estão em seu estado bruto e necessitam ser lapidados para irradiarem o brilho que deles se espera e deseja. Cuidadosamente, escolhemos a escola que, acreditamos, será nossa companheira nas inúmeras batalhas diárias relacionadas à educação e cuidados de nossos pequeninos. É necessário haver uma sintonia de crenças, posturas, e valores. No entanto, nem sempre é assim que acontece. Nossas escolas estão se esquecendo de trabalhar em cima de uma questão que considero básica: estimular nas crianças o gosto pelo estudo.

Com essa história de respeitar o “tempo” do aluno, a sua vontade ou interesse, as escolas delegam às próprias crianças a iniciativa de aprendizado que, muitas vezes, não acontece, ou demora meses para ocorrer. Sei que temos de respeitar a já tão discutida e inegável prontidão escolar, entretanto, não podemos nos furtar em trabalhar como verdadeiros garimpeiros, procurando aqui e acolá possíveis veios de interesse e conhecimento.

A acomodação é tão grande que, hoje em dia, faz tarefa a criança que quer e, se ela não quiser fazer, não devemos forçar. Busca-se com isso deixar o aluno à vontade, evitando que o mesmo desenvolva aversão aos trabalhos escolares, como acontecia antigamente. Só que, no passado, também os métodos eram outros e, por sinal, muito mais adversos que os atuais. Tal metodologia, aplicada presentemente, a meu ver só tem servido para “passar a mão” na cabeça dos alunos que têm preguiça de cumprir com seus deveres escolares e estimulá-los a encontrar alternativas para burlar os trabalhos que deveriam ser concluídos.

Sei que, ao me manifestar assim, corro o risco de afrontar uma série de educadores que estão certos de estar fazendo o melhor para seus alunos, estimulando-os a tomarem suas próprias decisões, quiçá fazendo com que amadureçam diante de seus compromissos. Ocorre que nessa idade, onde o lúdico desempenha papel primordial, a criança tem muito mais interesse em brincar do que fazer deveres escolares e, quase sempre irá escolher a primeira opção e não a segunda. Mesmo assim, acredito que há um tempo para cada coisa e, usando de disciplina, poderemos mostrar que a hora de brincar vem sempre depois da execução da tarefa e nunca antes dela.

Não podemos desperdiçar a chance de plantar no coração de cada criança a crença de que ela é capaz e que, sendo capaz, pode perfeitamente dar conta de suas tarefas escolares. Se nos acomodarmos diante de sua preguiça e falta de motivação, estaremos sendo coniventes com o afrouxamento do ensino e, automaticamente, do aprendizado. (A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga, bacharel em direito, e autora dos livros: Buscando a Felicidade - Editora Celebris e Sementes de Esperança - Editora Santuário)

Comentários

Comentários