Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Dia do salário

A Câmara Municipal de Bauru discutirá e poderá votar hoje o projeto de lei que estabelece os salários (vencimentos, no jargão técnico) do prefeito, vice, vereadores e secretários. O assunto é polêmico, porque tem apelo para toda sorte de argumentos, inclusive os populistas.

Só secretários

O projeto de lei que fixa os vencimentos, na verdade, só altera os salários dos secretários de governo - de R$ 3.900,00 para R$ 6 mil. Os demais, de acordo com o projeto, ficam como estão, ou seja, o prefeito com R$ 11 mil, o vice-prefeito com R$ 3.900,00 e os 15 vereadores com R$ 3.600,00.

Dissonante

A voz discordante é a do vereador Toninho Garmes (PSDB), que pretende não só barrar o reajuste para os secretários como também cortar os demais. Por isso, a sessão da tarde promete polêmica. A maioria dos parlamentares pisa em ovos quando se trata de assunto tão delicado, mas hoje todos terão de definir uma posição.

Ponto central

Apesar da polêmica, a questão dos salários dos agentes públicos não deve ser tratada como um fato escandaloso. Sempre é bom lembrar que salários que não condizem com a capacidade profissional de um técnico, seja lá em que setor for, são um convite ao desleixo e à priorização da vida privada do escolhido. Estamos falando, é óbvio, dos secretários municipais.

Banalizados

Esta função parece ter sido banalizada nos últimos anos por conta de uma série de fatores, desde prefeitos excessivamente centralizadores até os que não se importaram ou não compreenderam as reais necessidades de auxiliares de alto nível para prestar um serviço elevado aos cidadãos.

Hora do resgate

É hora, portanto, com os novos ares que se anunciam, de se resgatar a importância do secretrário de governo. São eles que efetivam as prioridades definidas na sala do prefeito. Se não estiverem motivados, envolvidos e, principalmente, presentes nas secretarias, junto a suas equipes, o resultado será desastroso, como tem sido em muitos casos.

Diferença

Desta forma, pagar bem (e ninguém está falando em salários milionários) um secretário não vai causar nenhum dano aos cofres municipais. Ao contrário, pode fazer a diferença para melhor na relação custo-benefício. Um técnico de bom nível não trocará um salário de pelo menos R$ 5 mil (por baixo) na iniciativa privada por uma “ajuda de custo” na prefeitura.

Sessão extra

O que os vereadores poderiam discutir melhor é o que os leitores têm reclamado com frequência: as sessões extras. Quem sabe não se encontra uma fórmula de evitá-las. Afinal, sessão extra deveria ser uma exceção e não uma regra, como tem sido. Eis uma discussão que não foi feita. Mas ainda há tempo. As emendas podem ser usadas para isso.

A pauta

No mais, a pauta da sessão de hoje traz um projeto de lei, de autoria do prefeito, que traça diretrizes para a cultura e cria um conselho municipal para o setor, entre outros assuntos de menor abrangência.

Comentários

Comentários