Os constantes aumentos da gasolina estão resultando no incremento das vendas de carros bicombustível - que podem ser abastecidos com álcool e gasolina - nas concessionárias de veículos de Bauru. Em alguns casos, os automóveis conhecidos como flex já respondem pela maior parte do resultado total de vendas dos carros 0km.
Foram exatamente as oscilações de preço da gasolina (que custa mais de R$ 2,00 o litro) que levaram a bancária Rosilene de Lima, 35 anos, trocar seu carro a gasolina por um bicombustível. Satisfação? Garantida, segundo suas palavras.
“Como eu estou colocando mais álcool do que gasolina, a economia para o meu bolso está sendo fantástica. Antes, eu gastava cerca de R$ 150,00 por mês para abastecer meu carro. Agora, esse gasto caiu para cerca de R$ 70,00 a R$ 80,00 em um mês. Estou plenamente satisfeita”, afirma Rosilene.
Na concessionária em que ela comprou seu carro flex, o gerente de vendas Renato Tâmbara Neto diz que, desde que a empresa começou a vender os veículos bicombustível - em maio do ano passado -, a curva da preferência por parte dos clientes não parou mais de subir. Nos primeiros três meses, as vendas desses veículos - que ano passado tinha o sistema flex em apenas um modelo da Volksvagen - não significavam mais do que 5% do total comercializado.
“Hoje, com a opção do flex em quase todos os modelos da marca, eles já significam cerca de 60% do total das vendas da concessionária. Além da vantagem de poder utilizar álcool e gasolina, o preço dos carros flex não é mais alto do que os do mesmo modelo a gasolina. Por isso as pessoas preferem o flex, que certamente será o futuro do mercado. Acredito que dentro de mais um ano todos os modelos da Volkswagen serão bicombustível”, arrisca Tâmbara Neto.
Segundo ele, atualmente é difícil encontrar uma pessoa que vai até a concessionária procurando por um carro que não seja flex. “Apesar do preço do álcool também ter subido bastante, as constantes altas da gasolina têm sido preponderantes na escolha dos clientes pelos veículos bicombustível.”
Em uma das concessionárias Ford da cidade, Jorge Simão Neto diz que os carros flex da marca só foram lançados no mercado em setembro deste ano. Atualmente, nesta revenda os carros bicombustível respondem por 10% do total das vendas.
“Começamos a vender os modelos flex em setembro deste ano, e por enquanto são apenas dois (modelos), com motor 1.6. Então, a maioria dos carros comercializados de setembro para cá ainda é a gasolina, mas já é possível perceber um interesse maior das pessoas pelo flex. Acredito que o grande salto ocorrerá quando os carros com motor 1.0 forem flex”, observa Simão Neto.
Na opinião dele, o sucesso dos veículos bicombustível vai depender muito dos investimentos do governo no programa de incentivo à utilização do álcool. “Hoje em dia, a diferença entre o preço do álcool e da gasolina já não é mais tão grande como antigamente. Isso acaba desestimulando as pessoas.”
Em outra revenda Ford, o gerente de vendas Rogério Garcia diz que, em dois meses, 28 do total de 106 veículos comercializados eram flex (índice de 26,41%). “A procura é grande e tem aumentado gradativamente”, afirma.
Impulso
Numa concessionária Fiat, o gerente Carlos Alberto Semenara diz que os modelos flex são comercializados desde novembro do ano passado. Atualmente, eles são os campeões de vendas na empresa.
“Numa média mensal, cerca de 60% a 70% das vendas efetuadas na revenda são de veículos flex. A Fiat tem quatro modelos de carro bicombustível, com motor entre 1.3 e 1.8. Acredito que até o final de 2005 todos os carros da marca estarão disponíveis na versão flex. É bem mais vantajoso para quem usa bastante (o carro)”, observa Semenara.
A vantagem do veículo flex também é comprovada pela professora Isaura Fernandes Alves. Ela e o marido trocaram os dois carros que tinham - um a gasolina e o outro a álcool - por um flex e garantem que a escolha foi um ótimo negócio. “Nós compramos o carro há dois meses e já é possível perceber como estamos economizando. Se um dia eu for comprar outro, certamente será flex.”
O gerente de vendas de uma concessionária GM, Fernando Vieira de Mello, diz que as vendas dos veículos a gasolina caíram muito. Atualmente, os modelos flex e a álcool representam, juntos, cerca de 80% do total das vendas da revenda - sendo 25% de flex.
“Alguns modelos, como Astra, Meriva e Zafira, tiveram um aumento em torno de 50% nas vendas depois que o motor passou a ser flexpower. Mas ainda são poucos os modelos bicombustível. Na linha 1.0, por exemplo, não tem nenhum”, assinala Mello.
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O sistema
Nos carros bicombustível, após o abastecimento a bóia do tanque identifica que o seu conteúdo foi alterado. Desta forma, o módulo central eletrônico (ECM - Engine Control Module) que está monitorando o sistema entra em modo de reconhecimento.
Durante a queima da nova mistura, um sinal do sensor de oxigênio é enviado para o ECM, que determina qual é a nova mistura de combustível existente no tanque centenas de vezes a cada segundo. Com isso, a quantidade e o tempo de injeção de combustível são acertados instantaneamente.
O software da unidade de controle otimiza também o avanço de ignição do motor para cada mistura de combustível por meio da leitura do sensor de detonação.
Da Redação