No Estado do Piauí, região Nordeste de nosso belo País, está localizado um dos mais importantes sítios arqueológicos da pré-história do mundo: o Parque Nacional da Serra da Capivara, na região de São Raimundo Nonato. Obra e arte da arqueóloga jauense Niéde Guidon, esse parque nacional possui pinturas rupestres de uma nitidez fantástica e belíssimas, retratando os mais variados temas: cenas do dia–a-dia, caçadas, festanças, rituais de fertilidade, nascimentos e mortes, animais da fauna primitiva, inclusive alguns extintos como leões dente-de-sabre e preguiças gigantes. Além do parque, foi criado ali, no mesmo espaço, o Museu da História do Homem Americano, com obras cruciais para o entendimento da ocupação da América e da evolução do Homem.
Com sua beleza plástica, o parque nacional guarda em seu seio uma informação importantíssima: a de que os nossos ancestrais poderiam tem chegado por aqui nas Américas há mais de 40 mil anos e não apenas há 10 ou 11 mil anos como afirmam arqueólogos norte-americanos.Tal tesouro, entretanto, corre perigo de desaparecer por descaso das autoridades e desconhecimento da população. É que a estrutura do parque foi drasticamente reduzida devido a essa política de contenção de gastos com a demissão de 60 profissionais da região, treinados, que terão que se dedicar a outras atividades, algumas, inclusive predatórias e prejudiciais ao parque que até há pouco tempo protegiam.
Outro problema relacionado à conservação do parque e preservação do seu acervo é que não há estrutura hoteleira na região para comportar um turismo ecológico e sustentável que vá trazer recursos para os moradores do local. O turismo é precário e sem estruturas, e, por isso, passa a ser um fator de destruição ao invés de preservação. Essa estrutura necessária já foi discutida pelo governo federal que prometeu, inclusive, a construção de um aeroporto que até agora não saiu do papel.
Para variar, como se vê, no Brasil a preservação do patrimônio histórico cultural não é levada a sério nem mesmo quando o objeto a preservar é um conjunto tão importante para a pré-história do Brasil e do mundo. Temos que nos unir e exigir do Ministério da Cultura providências além de tentar sensibilizar a iniciativa privada para a preservação de algo tão importante.
O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de história