Marília - O procurador regional eleitoral Mario Luiz Bonsaglia, do Ministério Público Federal (MPF), pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) abertura de inquérito para investigar denúncias de fraudes no processo eleitoral em Marília (100 quilômetros a oeste de Bauru).
Existem suspeitas de violação de lacre das urnas eletrônicas e alteração de hora e data nos boletins informativos da votação. O procurador não quis se pronunciar sobre as denúncias. Segundo ele, as investigações correm sob segredo de Justiça. Por isso, preferiu não dar detalhes sobre o pedido encaminhado ao TRE.
Além da solicitação do procurador, existem ainda outras duas no TRE que tratam das mesmas denúncias. Uma delas foi apresentada pela coligação “Frente Renovação” que deu apoio à candidatura do deputado estadual Joseph Zuza (PRP), segundo colocado na eleição.
De acordo com Marcelo Pelucio, suplente de deputado federal pelo PSDB e apoiador da candidatura de Zuza, as denúncias começaram a surgir antes da eleição. Ele conta que no dia 1 de outubro, uma pessoa lhe procurou para dizer que as urnas teriam sido fraudadas e que tinha documentos que comprovavam a denúncia.
Poucos dias após a eleição, Pelucio relata que as suspeitas de irregularidades ficaram ainda mais fortes quando viu, dentro do Cartório Eleitoral da 400.ª zona, que algumas urnas estavam sem o lacre obrigatório.
Diante disso, foi pedida uma perícia nas urnas e teria sido constatado que algumas tinham sofrido alteração na hora e na data e que em outras o tempo de votação, em determinado momento, teria sido muito curto. “Em alguns casos, nós temos votos feitos num prazo de três a quatro segundos. É impossível. Nesse tempo, o eleitor tem de entregar o título, votar no prefeito, no vereador e confirmar”.
Pelucio conta ainda que alguns boletins de urna, quando emitiram o resultado da votação, o horário marcava 6h40 da manhã do dia 3. “Ou seja, antes de começar a eleição já tinha um resultado fechado.”
Outro detalhe que chamou a atenção, segundo Pelucio, foi o fato do prefeito eleito ter vencido em todas as regiões da cidade. O segundo colocado é o deputado Zuza, que tem os redutos dele na cidade. Ele simplesmente não ganhou em nenhuma urna. E a colocação dos candidatos foram exatamente as mesmas em todas as urnas. O que é impossível”, acredita.
“Outra coisa: os dez vereadores da situação que foram eleitos sempre aparecem com muitos votos nas urnas em que a abstenção é baixíssima”, desconfia Pelucio.
Outra suposta irregularidade apontada por ele é o suposto armazenamento de uma parte das urnas dentro de um galpão da prefeitura, sem nenhuma vigilância.
Improvável
Apesar das suspeitas, o juiz eleitoral José Roberto Nogueira Nascimento, acha improvável a hipótese de fraude na eleição realizada em Marília. Ele não foi encontrado ontem pela reportagem para comentar o assunto.
Em entrevista à imprensa local, o juiz admitiu a possibilidade de falhas e disse que eleição “onde tudo vai dar certo não existe”. Na opinião dele, os derrotados sempre vão ficar insatisfeitos com os resultados. Sobre o pedido do MPF para que o TRE investigue o processo eleitoral de Marília, Nascimento disse que o promotor tem todo direito de recorrer.
O prefeito eleito Mário Bulgareli (PSDB) concorda com o juiz. Ele também descartou qualquer possibilidade de fraude e afirmou que as denúncias foram feitas por quem “não sabe perder”.
A coligação “Marília no Rumo Certo”, que apoiou Bulgareli, divulgou nota na qual manifesta apoio aos juízes da cidade e critica as suspeitas contra a vitória de seu candidato.
Para Bulgareli, o inquérito no TRE vai provar que o processo eleitoral em Marília transcorreu dentro da normalidade e que os opositores falaram “muita besteira”.
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Futuro indefinido
A assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou ontem que não tem como definir o que será feito caso as denúncias de irregularidades na eleição de Marília sejam comprovadas.
A decisão dependerá da avaliação dos juízes sobre o que foi apurado. Segundo a assessoria, a orientação dos juízes sobre o que deve ser feito somente é conhecida a partir do momento em que uma eleição é invalidada.
E aí que a população fica sabendo se haverá uma nova eleição, se o segundo colocado é decretado o vencedor ou se são anulados apenas os votos das urnas que apresentaram alguma irregularidade.
“Não tem como antecipar essa decisão. Vai depender da interpretação que os juízes vão dar à legislação eleitoral nesse caso específico”, esclareceu a assessoria.