Turismo

Buenos Aires

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Apenas 35 pesos, cerca de R$ 33,00, custa a corrida de táxi entre o aeroporto de Ezeiza, na Capital argentina, até o hotel. Menos da metade do que se gasta para embarcar em São Paulo, se o vôo for internacional, através de Cumbica.

Essa é apenas uma razão para se visitar Buenos Aires, uma cidade com ares de primeiro mundo, arquitetura que mescla Paris e Madri, vida noturna e cultural intensas, cafés que misturam jornais com poesia e preços razoáveis se comparados com o resto do planeta.

As operadoras de turismo se renderam ao seu charme cosmopolita e estão oferecendo a grande chance para quem quer visitar o Exterior, sentando no avião por apenas duas horas e meia. Por US$ 300, é possível embarcar numa boa, com direito a duas noites na terra de Gardel, visita ao cassino flutuante, uma noitada de tango e vinho numa das casas premiadas da cidade e city tour que passa por suas largas e bem cuidadas avenidas.

Quando se vai a Buenos Aires pela primeira vez dá uma tristeza o descaso que ronda muitas cidades brasileiras. Com crise ou sem crise, os argentinos, pelo menos os portenhos, fazem questão de manter a pose.

Os jardins estão sempre floridos, os museus mantêm exposições permanentes, os espetáculos de arte pontuam pela cidade, os bares lotam até as quatro da manhã e a elegância passeia pelas ruas.

Homens e mulheres se mostram nos cafés em seus melhores trajes. Terno com gravata, de preferência, mesmo que a saída seja apenas para tomar um “expresso” ou um “cortado” (café com leite) com direito a horas de leitura dos jornais.

A grande maioria dos portenhos é politizada e instruída. Muitos fizeram até duas faculdades, falam várias línguas e passam regularmente por terapia. Mesmo assim, o índice de suicídio é altíssimo.Resquício dos anos de chumbo em que a Argentina trocou vários presidentes, as rebeliões tomavam as ruas e o povo se derramava em prantos com a morte de ícones como a popularista Evita Peron.

Se você for do tipo falante, que faz amizade fácil, perceberá no vôo de retorno ao Brasil o número de portenhos que se destinam à Europa ou aos Estados Unidos para se aperfeiçoar. Por causa da língua, muitos vão à Espanha, sua terra-mãe, para os mestrados e doutorados da vida ou apenas para se reciclar culturalmente.

Os brasileiros que visitam Buenos Aires que representam 12% dos seus turistas, podem participar de outros roteiros igualmente interessantes, caso do turístico Caminito, no bairro da Boca do Riachuelo, onde estão localizadas as casinhas coloridas construídas com placas de zinco; o do futebol com visita ao estádio do Boca Júnior; o histórico pela Plaza de Mayo onde até hoje as mães choram procurando seus filhos desaparecidos durante a ditadura; o roteiro de artesanato que passa pelas feiras de antigüidades; o do rio da Plata que tem dois meios de transporte: o ferroviário e o fluvial; o do tango que passa por casas de tango e de milonga e o de compras, já que a malharia e o couro argentino têm excelente qualidade.

Isso sem falar de outros alternativos, como a Feira de Mataderos, procurados por quem já foi várias vezes à cidade e quer conhecer outras facetas dos “hermanos”, como danças regionais e comidas típicas que não se limitam a parrilla (churrasco de miúdos) e o bife de chouriço (contra-filé).

Falando em carnes, existem excelentes churrascarias em Buenos Aires, inclusive na rua Florida, a “calle” mais famosa da cidade, onde ficam shoppings e lojas variadas. Mas o “point” da vez é Puerto Madero, que reúne, na área de armazéns revitalizada, casas premiadas como o Cabañas Las Lilas e o Hereford, que cobram entre 22 e 37 pesos pelo bife de chouriço, com direito a acompanhamentos como papas fritas ou papas estufadinhas.

Já para comer uma boa parrilla, pagando bem menos, a dica é o Siga la Vaca, também na avenida Alicia Moreau de Justo, que margeia o rio, mas bem mais para frente na altura do 1.700.

Pagando entre 17 e 25 pesos, o cliente faminto tem direito à parrillada (carnes e miúdos de boi e carneiro) completa, com saladas e entradas, carnes, batatas fritas, água e uma bebida alcoólica, seja vinho ou cerveja. Quem insistir pode ainda ganhar de antepasto as imbatíveis empanadas argentinas. Detalhes que fazem com que a casa esteja sempre cheia.

Além dos restaurantes, come-se bem também na rua, estando-se em Buenos Aires. Além das frutas argentinas que são doces e imensas, das empanadas (uma espécie de pastel assado) e do locro (um cozido, como se fosse em puchero, com grão-de-bico), ninguém sai das feiras livres com fome. Nelas são vendidos sanduíches de chourizo (choripan) por 1,50 a dois pesos e de vacío (carne em fatias) em torno de 3,50 pesos.

Os amantes da carne podem ainda pedir assados de tira (costela), vendidos em porções por 8 pesos.

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