Turismo

Magia e encanto da cidade

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Jorge Luís Borges, o maior nome da literatura argentina, dizia que os portenhos não olhavam para cima e por isso deixavam de perceber a beleza dos prédios de Buenos Aires.

Tinha razão, já que a arquitetura da cidade mescla detalhes europeus e clássicos. Mas mesmo sem olhar para o alto, percebe-se como tudo lá é bem cuidado: das praças aos parques, dos bairros sofisticados, como Recoleta e Palermo, aos populares.

Reduto dos hotéis estrelados, como o chiquérrimo Alvear e o cinco estrelas Caesar Park, o bairro da Recoleta é símbolo do glamour. Seu nome deriva da ordem dos monges recoletos que, no início do século 18, viviam num convento na Praça Alvear, ponto referencial do bairro.

O convento deu lugar a um hospital na época das invasões inglesas de 1806, foi quartel e hotel de migrantes e hoje é sede do Centro Cultural Recoleta, que recebe grande número de visitantes.

Além dele, a Basílica Menor de Nuestra Señora del Pilar e o Cemitério de Recoleta, onde está sepultada Evita Peron, na tumba da família Duarte, são lugares constantes de visitação.

Perto dali, bastando atravessar a avenida del Libertador, chega-se ao Museu Nacional de Belas Artes e, seguindo em direção ao centro (quase na esquina da Avenida Santa Fé com a Avenida Callao) à livraria El Ateneo, a maior livraria da América Latina, que ocupa um prédio do início do século passado, onde durante anos funcionou o cine-teatro Grand Splendid.

Como Buenos Aires é uma cidade plana, é fácil andar por suas ruas, passando por bairros e lugares históricos, até chegar a Monserrat, onde tudo começou. Nesse bairro fica o também superluxuoso Hotel Inter-Continental, considerado o mais europeu da cidade. No “sítio”, Don Juan de Garay cravou uma estaca em 1580 e determinou a fundação da ilustre Santa Maria de Los Buenos Aires.

Depois de percorrer a Recoleta e a elegante avenida Alvear com palácios de arquitetura francesa - no bairro fica a embaixada brasileira, entre outras - siga em direção à avenida 9 de Julio, considerada uma das mais largas do mundo, com 140 metros de um lado a outro.

Ao percorrê-la, você encontrará com passeadores de perros (cachorros) e casais enamorados que aproveitam os raios solares para deitar na grama macia de seus canteiros centrais.

Na esquina da Avenida 9 de Julio com a Corrientes, fica um dos símbolos da cidade: o obelisco de 68 metros de altura, erguido em 1936 para comemorar os 400 anos da cidade que foi fundada duas vezes (a primeira em 1536).

A 9 de Julio é linda principalmente à noite, com sua iluminação se completando com os faróis dos automóveis em constante circulação e as fachadas de prédios em estilo neoclássico, caso do Teatro Colón, que tem entrada pela rua Libertad.

Depois do obelisco, virando-se à esquerda na avenida Corrientes, chega-se à rua Florida, o calçadão de Buenos Aires, com muitas lojas, floriculturas (daí o nome) e o shopping Galerias Pacífico.

O prédio é belíssimo, com afrescos pintados por famosos artistas argentinos (Castagnino, Bernio e Soldi) há mais de 50 anos e, no último andar, está o Centro Cultural Borges, reservado para mostras e que também abriga uma exposição permanente de objetos do poeta argentino.

Deixando a Florida, a dica é caminhar até a avenida de Mayo, onde fica a Casa Rosada (palco dos emocionados pronunciamentos de Evita Peron, que aos 33 anos morreu de câncer), toda cercada por plátanos. Nesta época do ano, ela se torna ainda mais bela com o desabrochar de flores em tons que vão do azul ao lilás.

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Palermo e San Telmo

Palermo é um dos bairros mais arborizados de Buenos Aires. Tem imensas áreas verdes propícias para caminhadas e parques como o Parque 3 de Febrero (Los Bosques de Palermo), onde funcionam o Planetário Galileo Galilei (rua Figueroa Alcorta com Sarmiento) e o Jardim Zoológico (Sarmiento com Las Heras).

Já San Telmo, é um dos bairros mais antigos da cidade (onde se localizava o primitivo porto da cidade).

Foi sede das principais ordens religiosas, núcleo residencial importante e centro histórico da cidade.

Nele, há casas dos séculos 18 e 19, herança histórica de períodos como as lutas contra as tropas inglesas no início do século e a Plaza Dorrego, onde, aos domingos, funciona a imperdível feira de antigüidades da cidade.

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