Consultórios médicos, clínicas odontológicas e de psicólogos e laboratórios de análises clínicas e patológicas, entre outros serviços de saúde, estão gradativamente ganhando espaço nos bairros de Bauru afastados do Centro.
Esse fenômeno é comparado por alguns à tradição antiga dos médicos de família que atendiam seus pacientes em casa e é considerado uma volta à proximidade e humanização do atendimento de saúde.
A descentralização dos profissionais é vista com bons olhos pelos pacientes, que geralmente passam a freqüentar dentista ou médico do bairro.
As vantagens apontadas são inúmeras: facilidade de estacionamento, ausência de barulho, comodidade para os pacientes e economia de tempo e dinheiro, entre outras.
Já os profissionais que optam pelos bairros também apontam aspectos positivos. É o caso do médico João Tavares, que é clínico geral e especialista em obesidade. Há cerca de um ano e meio, ele atende seus pacientes em um consultório localizado no Jardim Marambá.
Tavares mora no bairro e afirma que cerca de 70% de seus pacientes também vivem no local. A proximidade dos pacientes e a facilidade de acesso são aspectos que agradam os clientes e tornam o trabalho mais humanizado, segundo o médico.
“Guardando grandes proporções, é como um médico de família particular. Eu atendo famílias que vêm o filho, a mãe, a avó etc. É cômodo, está perto de casa. São facilidades que você dá ao paciente”, afirma.
Com a agenda cheia, o médico mostra-se plenamente satisfeito com sua opção. Além disso, ele acredita que seu consultório é uma opção para pessoas pessoas que têm dificuldades para se deslocar até o Centro da cidade.
“Quando eu montei aqui, alguns colegas diziam que eu iria jogar dinheiro fora e iria perder tempo. O espaço estava aqui há uns dois anos e ninguém havia se interessado. Eu não perdi tempo nem dinheiro. Estou plenamente satisfeito com o consultório aqui”, frisa Tavares.
“Aqueles que forem um pouquinho mais espertos e inteligentes vão sair do Centro procurar outro bairro. Fica todo mundo achando que lá bom. Mas não tem nem lugar para parar”, acrescenta.
No mesmo bairro, há aproximadamente dois anos meio funciona um laboratório de análises clínicas e patológicas. “Nós vimos que tínhamos bastantes pacientes que não moravam no Centro. Essa foi uma maneira de atender melhor os pacientes daquela região”, explica Alberto Monteiro Fernandes Neto, médico patologista clínico e proprietário do laboratório.
Outra vantagem apontada por ele é que pessoas idosas e crianças que moram no Jardim Marambá ou bairros adjacentes não precisam mais ir ao Centro para fazer seus exames.
“O resultado foi bom em relação ao que nos propusemos a fazer, que é oferecer nosso serviço ao pessoal da região. Além de atender nossos pacientes, adquirimos novos”, observa Fernandes Neto.
A rede de laboratórios, que conta com unidade no Centro, em breve inaugurará também uma no Jardim Europa, com o mesmo objetivo. “Como temos pacientes espalhados pela cidade, para nós é interessante. O objetivo principal é atender quem já é nosso cliente, oferecendo o serviço no próprio bairro”, diz.
A dentista Luciane Teresinha Corrêa também é adepta à descentralização. Ela já trabalhou no Parque Vista Alegre e no Alto Paraíso, mas agora atende no Jardim Bela Vista. Embora more longe do consultório, ela não pensa em mudar a localização de seu consultório.
“Se eu tiver de mudar, eu penso em alugar uma casa no mesmo quarteirão. Estou bem feliz aqui, apesar de estar longe da minha casa. Parece que o pessoal tem preferido os bairros por serem mais tranqüilos”, enfatiza.
A volta da proximidade dos profissionais de saúde também é observada no Programa de Saúde da Família (PSF). Através dele, equipes médicas visitam as casas dos moradores cadastrados fazendo atendimento básico curativo e preventivo. O programa é novidade em Bauru e tem agradado a população.