Sempre achei a economia uma atividade muito importante para o entendimento do mundo em que vivemos.
A tal da lei de mercado regulando tudo através da oferta e da procura, equilibrando o consumo, deixando todos perplexos como sobreviver em um mundo cada vez mais hostil, sem empregos, com renda dos empregados em empregos formais em queda livre e onde as demissões em massa não significam queda na produtividade. Muito pelo contrário. As máquinas dessa economia que funciona hoje à velocidade da luz são programadas para produzir cada vez mais, com cada vez menos operários.
Ela funciona como se os recursos naturais fossem infinitos e, para não “encarecer” a produção, não contabiliza os custos ecológicos na apuração dos seus preços.
Nela, os seis bilhões de pessoas são apenas peças das leis de mercado que se movimentam freneticamente à procura de um emprego, que na maioria esmagadora dos casos jamais surgirá, pois tudo é uma questão de estatística e aritmética: seis bilhões de “procuradores” que buscam um bilhão de empregos que a economia formal pode criar.
Teremos assim cinco bilhões de pessoas condenadas ao sub emprego, ao trabalho precários, a tarefas de curta duração sem proteção legal e com baixa remuneração.
Com cinco bilhões de pessoas fora do círculo de empregos e com consumo e trabalho precários a economia estaria então condenada? Não é bem assim; ela já está ajustada para sobreviver com o consumo dos poucos empregados do mundo e dos subempregados que também geram sub renda e sub consumo, mas vivem na exclusão e abandono.
Como se vê, os desafios que a economia tem pela frente não são pequenos e devem ser enfrentados.
O que seria necessário, então, para que a economia que não precisa de nós, humanos, retornasse aos trilhos e voltasse a se preocupar com o bem estar da humanidade?
O autor, Fábio Paride Pallotta é professor de história