Politicando

Doação de campanha


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Hotel Glória, Rio de Janeiro, 1959, Convenção Nacional do PSD para homologação da candidatura do marechal Henrique Lott à Presidência da República. Ambiente tenso e clima geral de desânimo. A candidatura de Jânio Quadros ia de vento em popa, antecipadamente vitoriosa, e os caciques do velho PSD sentiam o peso de derrota acachapante. Dinheiro curto, poucas contribuições de campanha. Tudo muito ruim.

Certo momento, um convencional, identificando-se como representante do Diretório Municipal de Iacanga (SP), toma a palavra, rende elogios ao marechal candidato e entrega, como doação pessoal, cheque de valor vultoso para a campanha. A doação, anunciada alto e bom som, muda o clima da convenção e abre caminho para dezenas de outras contribuições. Sucesso total.

O marechal candidato, comovido manda vir a sua presença o representante de Iacanga, agradece sua doação e coloca-se, sempre muito agradecido, à sua disposição naquilo que for necessário.

O convencional doador, muito discreto e falando baixinho informa ao marechal que gostaria de ter restituído seu cheque doado à campanha. Dinheiro ele não tinha e nem conta bancária. O que podia doar para a campanha, antes de dinheiro, era aquilo que desde criança sempre lhe sobejou, sua reconhecida esperteza, graças a qual os outros convencionais intensificaram as suas generosas doações. Saiu da convenção com seu cheque restituído e, ainda, com o agradecimento pessoal do marechal candidato. De quem ficou muito amigo.

História contada por José Fernando da Silva Lopes

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