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Tumulto em entidade assusta vizinhos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Um tumulto originado na sede da Comunidade União em Amor (Comuna), localizada na rua Maria Clélia, onde funcionavam as dependências do antigo Centro de Recuperação e Reintegração de Menores (Gilgal), apavorou os moradores do Jardim Cruzeiro do Sul em Bauru na tarde de ontem. A ocorrência na entidade, que assiste 40 crianças e adolescentes abandonados na faixa etária dos 12 aos 18 anos e em funcionamento há cerca de 15 dias no local, teria se iniciado com um desentendimento entre os abrigados.

O resultado das discussões, segundo relatos de moradores das imediações, teria sido a fuga para a rua de vários abrigados por um dos portões da frente da entidade, seguida por ameaças a moradores que, com uma câmera portátil, filmavam o ocorrido. Na seqüência, os jovens teriam sido controlados por monitores da Comuna, que os conduziram novamente ao interior da entidade. Acionada, uma viatura da Polícia Militar não entrou na instituição, mas acompanhou os fatos até a situação normalizar-se.

Um dos moradores, o mecânico Célio Antônio Ferri, foi o autor das filmagens. Ele conta ter visto os abrigados correndo pela via em perseguição a um rapaz e posteriormente ter sido ameaçado por vários deles. “Eles corriam atrás de um moleque e, quando me viram com a câmera, voltaram-se contra mim. Só tive tempo de correr para dentro de casa e fechar o portão. Senti na pele o medo, pois já vinha recebendo ameaças há dias”, afirma. Segundo Ferri, o mau comportamento dos abrigados o obrigou a elaborar boletim de ocorrência por perturbação do sossego logo no segundo dia de funcionamento da entidade, o que seria o motivo das ameaças.

O filho do mecânico, Célio Roberto Ferri, assegura que uma “tropa” de abrigados armados avançou em direção a seu pai e além disso, segundo Célio, com o início das atividades da Comuna o local transformou-se em uma “microFebem”. “Os tumultos são constantes, bem como as ameaças que cheguei a receber por ser agente penitenciário. Além disso, creio que o lugar não tem condições de segurança para funcionar”, diz ele. E acrescenta: “Entendemos que os abrigados têm seus direitos, só que também é preciso avaliar os direitos da comunidade próxima à entidade.”

Já a direção da Comuna, através da vice-presidente Karen Cristina Dias, confirmou que o “estopim” da briga na entidade foi mesmo o desentendimento entre os abrigados e que realmente o tumulto culminou com a fuga para a rua de alguns deles através de um portão na frente da entidade. Apesar disso, ela garante que os desentendimentos foram rapidamente contidos e negou o relato de um dos moradores que dezenas de abrigados teriam saído à rua.

Tais fatos foram confirmados pelo jovem monitor César Augusto, que explicou ainda os motivos dos abrigados terem conseguido chegar à rua pelo portão da frente. “Eles não gostam da gente porque somos rigorosos, mas conseguimos conter o tumulto. Mesmo assim, alguns conseguiram escapar pelo portão, que normalmente permanece trancado, mas naquela hora estava aberto porque um ônibus viria buscá-los para ir a um show de hip hop, às 15h, no Teatro Municipal. Com esse descuido de algúem que o deixou aberto, os abrigados devem ter pego o cadeado e se aproveitado da situação. Mas não foram 30 como os moradores falaram, e sim apenas quatro, e não estavam armados com facas e paus”, frisou o monitor.

Além disso, a vice-presidente ressaltou que a entidade não mantém qualquer vínculo com a Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem). “A Comuna não tinha sede própria e ficava na rodovia Bauru-Marília. Depois, o dr. Ubirajara Maintinguer (juiz da Vara da Infância e Juventude) nos autorizou que utilizássemos o prédio da antiga Gilgal, que já havia sido desativada. Assim, não mantemos qualquer relação com a Febem”, esclarece.

Já sobre o questionamento de habitantes do bairro de que o local não reúne condições de segurança para funcionar, Karen argumenta que os abrigados não são infratores. “Eles não são bandidos, e sim órfãos, e para quê teria essa preocupação com a segurança?”, questiona a vice-presidente, para depois complementar: “Se começar a tratá-los como criminosos, aí sim é que eles passarão a agir como tal”, finaliza.

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