Mostrar à sociedade o trabalho desenvolvido, integrando a comunidade com seus assistidos e estes com suas famílias. Estes foram os principais objetivos da primeira edição do Recreavida, evento promovido ontem pelo Esquadrão da Vida, entidade que há mais de 30 anos cuida de dependentes químicos de Bauru, região, do Brasil e até do Exterior.
A programação de atividades do evento contou com a realização de um torneio de futebol de campo, caminhada ecológica, música ao vivo e praça de alimentação. Além disso, foram efetuados sorteios de brindes - duas bolas e uma camisa oficial do Palmeiras autografada pelo atual elenco do “Verdão†- e a entrega de troféus, todos doados pelo jogador palmeirense Claudecir, que marcou presença no Recreavida e destacou a importância do ato.
“Sempre tive em meu coração, desde que iniciei a carreira no Noroeste em 1993, que se Deus me desse a oportunidade de me colocar em times grandes faria tudo ao meu alcance para ajudar quem necessitasse. Por isso, esse é um sonho de mais de dez anos realizado e agradeço a Deus por ter me dado essa chance de concretizá-lo, especialmente por ser aqui em Bauruâ€, frisou Claudecir.
Para o jogador, o trabalho desenvolvido pelo Esquadrão da Vida demonstra que sempre há esperança de recuperação. “Nunca se deve desistir e, por isso, tudo que podemos fazer para ajudar quem entrou pelo caminho errado das drogas torna-se extremamente gratificanteâ€, enfatizou o palmeirense, que mantém uma escolinha de futebol no município de Agudos e também já auxiliou obras assistenciais em Barra Bonita e na Capital paulista.
O Esquadrão da Vida auxilia, atualmente, cerca de 60 jovens, todos maiores de 18 anos, na luta contra a dependência das drogas. “Nossa intenção é prevenir, recuperar e reintegrar essas pessoas na sociedadeâ€, destacou Cláudio Salviano, psicólogo e relações públicas da entidade. “Em todos esses anos de existência, estimamos já ter atendido e ajudado mais de 5 mil pessoas contra os víciosâ€, avaliou Edmundo Chaves, um dos fundadores do Esquadrão.
Para isso, os assistidos da entidade passam por um processo de desintoxicação que envolve a realização de atividades como apicultura, pecuária, horticultura, padaria e serviços gerais de limpeza, além de participarem de eventos de evangelização. “Desta forma, além de colaborarmos na prevenção e recuperação dos dependentes, preparamo-os para reingressar no mercado de trabalho após, praticamente, aprenderem uma profissão aqui dentroâ€, sustentou Salviano.
Exemplos de recuperação promovido pelo Esquadrão, que também já abrigou dependentes de vários países, como Albânia e Escócia, não faltam. “Há casos de pessoas que tornaram-se teólogas na Inglaterra e no Japão e até de um rapaz que aprendeu a ser pedreiro e, atualmente, está bem em Portugalâ€, revelou Edmundo.
O próprio Salviano é outro ex-dependente que livrou-se com sucesso das drogas. “Estou já há 14 anos longe dos vícios e até me formei pela Universidade do Sagrado Coração (USC)â€, destacou. E acrescentou: “Só que temos de ser realistas. Recuperar-se é difícil e penoso e prova disso é que apenas 30% das pessoas conseguem afastar o fantasma dos entorpecentes.â€
Quem também se recuperou plenamente das drogas foi Rui Aparecido Conceição, que ingressou no Esquadrão da Vida em 1975 sofrendo com os efeitos maléficos provocados pelo consumo da maconha, anfetaminas e bebidas alcoólicas e, atualmente, é um dos coordenadores de evangelização da entidade. “Já estava sem esperanças e vivendo um momento crítico, pois já tinha perdido contato com a família. Vim para cá e, atualmente, trabalho aqui, tenho minha família e filhos. Por isso, devo tudo o que consegui ao Esquadrãoâ€, salientou.
Já o jovem E.S.F., 20 anos, está em tratamento na entidade contra o consumo de maconha, cocaína e bebidas alcoólicas há pouco mais de três meses, período suficiente para lhe encher de esperança. “Tenho fé e esperança que irei me recuperar, pois o trabalho desenvolvido aqui é muito bom. Quando cheguei, não tinha idéia muito clara do que era feito no Esquadrão e estava desconfiado. Com o tempo, enxerguei que a realidade era bem diferente do que imaginavaâ€, argumentou.