Arafat foi, durante mais de três décadas, o todo-poderoso líder que mediava e arbitrava entre as distintas facções palestinas. Podia promover rebeliões ou atentados para agradar às alas duras e também reconhecer a Israel para ganhar o Nobel da Paz e regar o relacionamento com os conciliadores palestinos e o Ocidente.
Seu vazio promoverá uma disputa interna sem alguém que possa colocar muitas regras. Os três postos que ele concentrava passam a distintas mãos. Os ‘moderados’ Abbas e Quire estão a cargo da Organização para a Libertação Palestina (frente que agrupa quase todas as facções menos a dos "islamistas") e a Autoridade Palestina, enquanto que o partido governante (Al Fatah) será liderado pelo radical Qaddoumi.
Sem Arafat, a esquerda e o Hamas tentarão avançar no controle de Gaza e tomar uma atitude mais hostil com Israel. Sharon promoverá a divisão palestina buscando entrar em acordo com os "moderados" dando-lhes concessões com a condição de que façam uma guerra civil interna.
O autor, Isaac Bigio, é analista internacional. Foi professor de política brasileira e latino-americana na London School of Economics