Politicando

O bom carcereiro


| Tempo de leitura: 1 min

Durante o Estado Novo (1937/1945) o Presídio do Hipódromo, em São Paulo, já naquele tempo um velho prédio, era destinado a recolher os adversários e desafetos da ditadura Vargas.

Ali, como chefe da carceragem pontificava o muito justo capitão Cegonha, que era desprovido de qualquer patente militar e apenas tinha pernas muito compridas recordando a folclórica ave que em certa medida e, segundo a lenda, tem a imensa responsabilidade na preservação da raça humana.

Pois bem. O capitão carcereiro, sabendo das voltas que o mundo dá e tendo absoluta certeza de que o detento de hoje pode ser a autoridade poderosa de amanhã, a todos buscava dar atendimento especial e diferenciado, isto num tempo em que o Brasil, provinciano, ainda não praticava o atendimento Vip.

Certo dia chega um preso novo. Advogado recém-formado pelas Arcadas de São Francisco, com fama, indevida, de bom poeta com futuro promissor e fama, muito certa, de notório mulherengo.

Merecia atendimento especialíssimo. O capitão Cegonha, todo cerimonioso e com muito respeito, o encaminha para cela individual, numa verdadeira deferência. Pequena e com as paredes forradas por páginas de revistas e folhinhas estrangeiras com mulheres nuas, semi-nuas e todas em poses sensuais.

Na mesma hora entrega ao preso um pacote com muitos envelopes de alka seltzer (naquele tempo ainda não havia sonrisal), explicando sempre muito cerimonioso:

- O quartinho é muito bom. Vossa Excelência fica entre lindas mulheres e quando desejar esses envelopes borbulham como champanhe. Foi o que deu para arrumar para vosso digníssimo conforto.

História contada por José Fernando da Silva Lopes

Comentários

Comentários