Economia & Negócios

1ª Feira Afro-Bauruense de Empreendedorismo será dia 21

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Será realizada no próximo domingo a 1.ª Feira Afro-Bauruense de Empreendedorismo e Cultura, promovida pela Fundação Douglas Andreani (FDA). O evento integra as atividades da Semana da Consciência Negra, iniciada ontem e prosseguindo até o dia 21, organizada pelo Conselho Municipal da Comunidade Negra. O objetivo da feira é estimular a comunidade negra e afro-descendente a desenvolver projetos empreendedores.

De acordo com Antônio Carlos Barros, do conselho, durante o evento de domingo será apresentado um levantamento feito pelos alunos do curso de gestão sistêmica da FDA, desenvolvido em parceria com a Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Bauru).

“O levantamento com o perfil do empreendedor negro em Bauru, feito pelo Grupo Evah da fundação, mostra que em todos os setores da economia existem pessoas negras e afro-descendentes, como proprietários de empresas comerciais. A feira dará destaque a esses membros da comunidade local e, com isso, pretendemos despertar a potencialidade de outras pessoas da comunidade para se tornarem empreendedores”, destaca Barros.

De acordo com ele, a feira possibilitará a divulgação de grupos formados a partir do curso de gestão sistêmica da FDA que podem cooperar no desenvolvimento de projetos empreendedores. O curso é realizado todas as terças-feiras e já conta com cerca de 150 alunos divididos em três grupos.

Entre as atividades programadas para a feira de empreendedorismo estão uma palestra sobre o tema, que será ministrada pelo professor Lincoln Firmino, e a palestra “Um novo olhar sobre o continente africano”, a ser proferida pelo professor Sebastião Clementino da Silva.

Para Roque Ferreira, membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra, um dos maiores problemas enfrentados pelos negros é a “invisibilidade”. “Em todas as áreas do mercado (de trabalho) existem negros atuando, alguns inclusive em posição de destaque. Contudo, eles não têm a mesma visibilidade dos não-negros. Isso ocorre porque no Brasil o racismo se tornou naturalizado, consistindo numa forma violenta de discriminação.”

A expressão “racismo naturalizado” é definida por Ferreira pelo fato de ter se tornado comum no Brasil naturalizar os negros em determinados locais. Ou seja, quando eles conquistam outros espaços, o preconceito ficaria nítido.

“Quando o jornalista Eraldo Pereira sentou-se pela primeira vez no estúdio do Jornal Nacional para ser apresentador, aquilo virou notícia no País inteiro, dizendo que um negro ia apresentar o Jornal Nacional. E daí? Não é a mesma coisa que um jornalista não-negro apresentar? Situações como essa deixam claro o racismo. Durante a feira de empreendedorismo, queremos enfatizar que os negros e afro-descendentes podem conquistar seu espaço em todos os setores”, salienta Ferreira.

Na opinião dele e de Antônio Carlos Barros, a forma mais eficaz de vencer o problema do preconceito é a organização. “O negro tem que se organizar, protestar e denunciar as mais diversas formas de violência às quais é submetido, inclusive no mercado de trabalho”, destaca Roque Ferreira.

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Prêmios

Além da 1.ª Feira de Empreendedorismo e Cultura, que será realizada no domingo, outros destaques da programação da Semana da Consciência Negra são a entrega do prêmio “Zumbi dos Palmares”, marcada para hoje, e a palestra sobre discriminação racial no mercado de trabalho que será realizada no dia 20 de novembro, data em que se comemora o Dia da Consciência Negra.

O “Zumbi dos Palmares” será concedido “in memorian” a três pessoas: Emmanuel Silva Nunes, que foi o único engenheiro negro em 100 anos de história da Rede Ferroviária Federal (RFFSA); Pedro Campos, primeiro vereador negro de Bauru, e Theresa Magalhães Matias de Lima, participante ativa dos movimentos sociais das mulheres negras.

No dia 19, o destaque é a entrega do prêmio “Luiza Mahin”, concedido a profissionais que estão na ativa nos mais diversos ramos de atuação. A negra Mahin, nascida na África por volta de 1812, foi a mãe do poeta abolicionista Luiz Gama.

A guerreira africana teve importante papel na Revolta dos Malês, rebelião de caráter racial contra a escravidão e a imposição da religião católica, ocorrida em Salvador (BA), em janeiro de 1835. “Por isso, seu nome foi escolhido para premiar negros que estão vencendo barreiras e conquistando seu lugar na sociedade”, diz Roque Ferreira, do Conselho Municipal da Comunidade Negra.

• Serviço

Mais informações sobre o curso de gestão sistêmica da Fundação Douglas Andreani (FDA) podem ser obtidas na OAB-Bauru, pelo telefone (14) 3227-3636.

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