Barra Bonita - O médico Francisco Reinaldo de Souza procurou a polícia no último fim de semana para registrar um boletim de ocorrência (BO) contra a falta de plantonistas no Hospital e Maternidade São José, em Barra Bonita (68 quilômetros a sudeste de Bauru).
Souza é o responsável pela escala de plantão do Pronto-Socorro (PS). Diante da falta de médicos plantonistas para trabalhar neste fim de semana - todos pediram demissão -, ele assumiu o plantão às 18h de sexta-feira passada e permaneceu até as 12h do domingo, quando alegou esgotamento físico e mental para continuar.
Além dele, outras quatro pessoas, incluindo enfermeiras, também procuraram a polícia neste fim de semana para denunciar a falta de médicos plantonistas. O pedido de demissão da equipe que trabalhava no PS teria sido motivado basicamente por duas razões. A primeira pelo atraso no pagamento dos salários e no fornecimento de cestas básicas e a segunda por uma eventual sobrecarga de serviço.
De acordo com o diretor do corpo clínico do hospital, o médico Dimas de Sales Paiva (prefeito eleito de Barra Bonita), a situação teria voltado ao normal com o retorno dos plantonistas ao serviço. Apesar de terem reconsiderado o pedido de demissão, os médicos estariam, segundo o diretor, desanimados com a situação financeira do hospital.
O problema teria se agravado depois que a prefeitura deixou de repassar valores acima do que está definido em convênio entre as duas partes. Pelo contrato, o município tem de depositar mensalmente na conta do hospital R$ 15 mil para pagamento de dois plantonistas e das despesas com o PS.
No entanto, segundo informou a assessoria de imprensa do município, a prefeitura vinha repassando um valor superior a esse, mas teria parado por falta de recursos e por temer a Lei de Responsabilidade Fiscal, que pune os prefeitos que deixam dívidas para seus sucessores.
Na tentativa de arrecadar dinheiro suficiente para voltar a colaborar com o hospital, além do valor estipulado pelo convênio, o prefeito José Carlos de Mello Teixeira (PMDB) enviou à Câmara Municipal um projeto de lei que isenta de multas e juros os inadimplentes com os tributos municipais.
Segundo a assessoria, o prefeito não fez estimativa de quanto pretende arrecadar com o projeto. Atualmente, a dívida ativa (impostos que deixaram de ser pagos pelos moradores) do município está em torno de R$ 4,5 milhões. Só este ano, teria deixado de entrar nos cofres da prefeitura algo em torno de R$ 1,5 milhão.
O projeto de lei seria lido na sessão de ontem da Câmara Municipal. Em seguida, seria encaminhada para as comissões de Justiça e Redação e de Finanças e Orçamento para análise. Só depois disso é colocado em votação no plenário. Para ser aceito, o projeto precisa da aprovação de dez dos 15 vereadores. A votação deverá ocorrer na próxima segunda-feira, se nada de errado for encontrado no projeto.
O administrador interino do hospital, Paulo Chagas, não foi localizado para comentar o descontentamento dos plantonistas.