Telhas, tijolos, tubos de concreto, cimento e plástico amontoados transformaram os lotes do Jardim Meire em novos pontos de depósito irregular de entulho. Além do bairro, situado próximo à Vila Aviação em Bauru, pelos menos outros 30 terrenos receberam clandestinamente a mesma destinação. A escassez de fiscais lotados na administração municipal favorece o despejo inadequado de materiais de construção civil inservíveis em endereços espalhados por todas as regiões da cidade, cuja autoria na maioria dos casos é desconhecida.
“Já ligamos umas dez vezes para a prefeitura assim que as empresas chegam (com o entulho). Mas demoram para mandar fiscais e eles vão embora. A gente não pode entregar (placa e características dos veículos) porque fica fácil de nos achar”, explica Marcos Aparecido Bercio, morador de um dos cerca de dez imóveis do Jardim Meire. Mas se depender de flagrante, o problema de Bercio demandará tempo para ser resolvido. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) dispõe de apenas dois fiscais para, além de impedir o depósito irregular de entulhos, fiscalizar queimadas, erosões, despejo inadequado de lixo orgânico e licenciamento ambiental.
No entanto, quando os servidores conseguem identificar as empresas que se desfazem de entulhos em local irregular, elas são autuadas. A primeira multa é de R$ 500,00. Em caso de reincidência, passa para R$ 1 mil, R$ 5 mil e R$ 10 mil.
“Só neste ano foram por baixo 40 autuações. Mesmo com dois fiscais, fazemos um bom trabalho. Temos empresas autuadas três vezes em R$ 10 mil”, informa o diretor de Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma, Carlos Barbieri.
De acordo com ele, quando a situação é contumaz, é encaminhada à Promotoria do Meio Ambiente, que também pode ser procurada pelo corretor de imóveis Nélson Saes Rodrigues. Além de ser proprietário de um lote no Jardim Meire, ele comercializa terrenos do bairro.
“Se a prefeitura não tomar providência, vou juntar uns 20 proprietários e procurar a promotoria. Se deixar, vira um bolsão. Esse loteamento está registrado há mais de 40 anos e o entulho está atrapalhando a corretagem. A pessoa chega lá e desanima”, diz. Ele acredita que, em função do problema, os terrenos sofram uma desvalorização de 50%. Em média, o valor de um lote de 10m x 30m é de R$ 5 mil.
O preço do lote pode chegar a R$ 8 mil, se estiver próximo à Rodovia Marechal Rondon. Mas se tiver do meio do loteamento para o fundo pode ser comercializado por R$ 3 mil, reitera Wânia Pôrto, diretora da Associação dos Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba) e subdelegada do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci). Na opinião dela, a desvalorização provocada pelo depósito irregular de entulho é de, no máximo, 10%.
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Bolsão
Carroceiros e empresas de caçambas que recolhem materiais de construção civil inservíveis têm duas opções para se desfazer corretamente de entulho. Uma delas é despejá-lo numa erosão situada no Núcleo Habitacional Edson Francisco da Silva (Bauru 16). O local substituiu há quase dois meses o bolsão do Pousada da Esperança, que funcionou por quase dez anos.
A outra alternativa é procurar a erosão do Jardim Colonial, que tem a mesma finalidade. Informações sobre como chegar até o local devem ser obtidas na Semma pelo telefone (14) 3235-1000.