Tribuna do Leitor

Ao diretor do Zôo


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Uma foto publicada no JC, 4/11/04 mostra um leão no meio de sua jaula, cercada de arames eletrificados, uma novidade tenebrosa para prevenção de hipotéticas fugas.

De um lado, o zoológico de Bauru, referência nacional por sua qualidade; de outro, o senhor Luiz Pires, diretor dessa instituição, pessoa idônea, esclarecida, preocupada com o meio ambiente. Enquanto permaneceu na Semma tinha uma política firme de preservação das árvores e tentativa de penalidade aos infratores (aliás, a derrubada de árvores envergonha a cidade, pois, a despeito da fiscalização, cada vez mais estão sendo cortadas e mutiladas diariamente, a olhos vistos).

Pergunto, então: Como pôde o senhor Luiz Pires instalar arames eletrificados para tentar reparar uma falha? Houve, há algum tempo, uma fuga de felinos, seguida da morte deles. Medidas preventivas podem ser tomadas, desde que não sejam drásticas. Um erro não justifica outro. A imagem da foto do recinto do leão, a mim assemelhou-se a um campo de concentração nazista. Não poderia ser mais desumano e cruel esse método de manter os animais longe da cerca, o que os afasta mais ainda do sonho de liberdade que nunca alcançarão, não enquanto estiverem sob o totalitário domínio humano.

Dos pobres e melancólicos animais enjaulados já quase tudo lhes foi tirado. Antes, pelo menos, eles podiam investir contra as grades ou apoiarem-se nelas. Agora, nem isso podem. Ficaram mais confinados ainda, medrosos e inseguros, depois de terem aprendido a lição às custas de muitos choques elétricos.

Senhor Pires, apelo à sua generosidade, retire essas cercas elétricas, e, por favor, não permita que estendam tal prática, infelizmente também adotada em muitas fazendas, às jaulas dos demais bichos, pois há outras formas de reforçar a segurança. Estou sabendo que muitas pessoas não mais freqüentarão o zoológico enquanto isso perdurar. Quero também esclarecer que, por uma questão de princípio, sou contra a exploração e o confinamento animal, a exemplo de zoológicos, circos e similares e, ainda, exposições e leilões de animais onde vaca (e fêmeas de outras espécies) nem têm o direito de ser mãe ou ficar com o filhote. É apenas “matriz”, “reprodutora precoce”, “aparelho de fabricação de bezerros”, “produto para abate”, ou seja, a lista de horrores não tem fim. Pretensiosamente, como achamos que somos senhores absolutos da Terra e acreditamos, erroneamente, que as outras espécies estão aqui para nos servir (o beligerante e sanguinário Bush vai além e pensa o mesmo de seus semelhantes), vamos tentar não acrescentar mais um item a essa triste lista.

Kátia F. Borges Castilho - RG 33.350.201

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