Se os teus projetos forem para um ano, semeia o grão; se forem para dez anos, planta uma árvore; se forem para cem anos, educa o povo (provérbio chinês). Insalubridade e periculosidade ou adicional de local de exercício do magistério são, hoje, temas ou assuntos cada vez mais freqüentes na sala dos professores e em suas reuniões ou encontros sindicais, cursos... As condições adversas de trabalho profissional (ver abaixo), somadas à violência nas escolas públicas, em especial, tornam cada vez mais a sua profissão estafante e penosa - assim reconhecida pela OMS e OIT, igualmente insalubre e perigosa no Brasil.
Outro agravante para o trabalho do professor e que complicou a vida escolar de vez, foi a implantação da progressão continuada de modo falho e equivocado que resulta em promoção automática do aluno nas séries iniciais de 1ª à 4ª e de 5ª à 7ª, com raras ressalvas. Sérias conseqüências a curto prazo, indisciplina e desleixo nas tarefas de casa; a médio prazo, baixa aprendizagem; a longo prazo, não formação, mas deformação do aluno, com poucos valores, acrítico, cidadania omissa, em claro descumprimento das constituições nos três níveis; inobservância do ECA, da DUDC, e da DUDH - ONU; prejuízo para o futuro dos jovens, o progresso e desenvolvimento nacionais; e também a segurança, soberania e o bem-estar de toda a nação!
No que se refere à segurança nas escolas, podemos afirmar que perderam a sua sacralidade e, de intocáveis e respeitadas que eram, passaram a sofrer toda a sorte de violência, vinda não só de fora, mas de dentro da própria escola. Atinge professores, funcionários, alunos e demais com ameaças, agressões, desacato, assaltos, pichações, depredações o que demonstra também a insegurança e ausência de proteção de que necessitam as escolas públicas. Instalam-se, assim, o medo, a ansiedade com afastamento de alunos, faltas e licenças de professores e funcionários, agravamento de doenças especialmente o distresse e as doenças ocupacionais ou profissionais.
Falando de saúde de professor e também dos funcionários e sobre DOs ou DPs, temos um quadro alarmante, com poucos médicos para tratá-las, falta de especialistas em várias áreas, sem política de prevenção e diagnósticos precoces (o que seria mais humano e mais econômico). Segue a descrição e percentuais de algumas delas já pesquisadas e comprovadas por sociedades e associações médicas, universidades (UNB e outras), sindicatos e organismos outros ligados à OMS e a OIT - e divulgadas nos últimos 2 anos pela grande imprensa: 48% dos professores e funcionários sobre de Burt Out - síndrome que resulta em apagão ou desligamento emocional devido à estafa e estresse constantes, problemas de ordem emocional e psicológica (UNB - Dpto. Psicologia); 65% têm disfonia ou males vocais como rouquidão aguda ou crônica, afonia, calos e/ou fendas nas cordas vocais - devido ao giz, poeira, salas lotadas, jornada excessiva (não raro em 2 ou mais escolas), pressão, tensão emocional, etc. Em São Paulo, conforme estudos recentes feitos pela dra. Sandra Cubas, cerca de 80% dos professores sofrem desses males; 74% têm doenças várias, agudas ou em caráter crônico - o que gera sofrimento de toda sorte (físico, psíquico, etc.) e impedimentos profissionais, sendo a sua maioria doenças ocupacionais/profissionais como: LER, DORT, males ortopédicos, flebite/varizes, distúrbios gastro-intestinais, conjuntivite e rinite alérgicas, perda gradual de visão e audição, AVCs (acidente vascular-cerebral) e ACVs (acidente cardio-vascular) - devido as más condições de trabalho citadas e outras tantas; 92% têm problemas ou distúrbios de natureza emocional e/ou psicológica de leve ao mais grave como depressões, neuroses e até psicoses - devido as pressões e tensões constantes, dificuldades financeiras, problemas familiares e pessoais, indisciplina e violência nas escolas, bem como são agravadas por ausência de políticas de detecção e prevenção, de mais médicos e de especialistas ainda não conveniados, etc. Isso tudo somado tem levado o professor à desistência do magistério, logo nos primeiros anos de trabalho que somados àqueles licenciados ou formados que sequer assumem a cátedra, ultrapassa a casa dos 90%. Sem considerarmos, por outro lado, o número cada vez mais reduzido de jovens que se interessam pela carreira do magistério devido aos baixos salários, perda de status social, condições adversas de trabalho, etc. Por isso há tanta falta-aula ou médica, licença saúde, afastamentos, readaptação, aposentadoria precoce, até mesmo morte súbita (carache/caroche) e suicídio. Segundo o próprio Estado, cerca de 30% dos professores ou mais. Só não é maior esse quadro por força e opressão do “bônus” - não reajuste justo e devido do reivindicado pelos professores e funcionalismo em geral, chegando ao cúmulo de professor trabalhar doente, não atender familiar necessitado e até mesmo se ausentar de velório de familiar/parente de 1.º grau (nojo). Com base nesses dados, quadros e denúncias várias, os professores e funcionários das UEs estaduais reafirmam suas bandeiras históricas de luta e nestes dias 15 e 28 de outubro, reforçam suas principais reivindicações entre outras, a saber:
- Reajustes de salário anuais, com data base ou dissídio e programa de reposição de perdas salariais e implemento de plano de carreira;
- Número máximo de 25 alunos por sala, conforme o modelo pedagógico (científico) e jornada com alunos de até 4 horas, segundo a OMS e OIT;
- Implantação dos adicionais de insalubridade (até mesmo por contato com doenças infecto-contagiosas) e de local de exercício (periculosidade) - ALE;
- Política e proteção e de prevenção à violência nas escolas e em seus arredores, especialmente as mais problemáticas ou com alunos problemas;
- Política ou programa de prevenção de doenças ocupacionais, profissionais, bem como detecção precoce nas UEs através de exames preventivos;
- Mais médicos em áreas de grande procura e novos para outras áreas ou doenças não atendidas no Iamspe e hospitais do Estado ou conveniados;
- Criação de CIPAS ou CIPED-P/Os nas UEs e Núcleo ou Grupo de Inclusão de Apoio ou Orientação para alunos problemas ou com problemas psicológicos. Colegas! Trabalhemos juntos, em cada município e em todo o Estado de São Paulo!
Coletivo da Saúde e Segurança do Professor - Apeoesp, Maeno e Subsede de Bauru - Rubens C. Colacino - RG 6.360.282