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Gasolina e óleo ruins são 'vilões'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Gasolina adulterada. Utilização de óleos lubrificantes inadequados ou de má qualidade. Desleixo com a manutenção do veículo. A combinação desses três fatores é a principal responsável pela geração da “borra” nos motores dos automóveis, problema que pode ser identificado através do surgimento de alguns “sintomas”.

Segundo o mecânico bauru-ense Jéferson Donizeti Bortoloti, os mais comuns são a perda de desempenho e o aumento do consumo do combustível e, principalmente, do óleo. “A pessoa percebe que o motor está trabalhando mais preso, o que acelera o desgaste de seus componentes”, afirma.

Jéferson explica que a “borra” forma-se em decorrência da queima deficiente da gasolina, ocasionado por sua má qualidade, com a falta de lubrificação adequada do motor, muitas vezes causada pelo uso de um óleo diferente do recomendado pelo fabricante do automóvel. “Assim, em vez de evaporar-se, essa mistura fica no motor e se acumula gradativamente. E é aí que os danos começam a surgir”, alerta.

Entre eles, o mecânico cita o entupimento do escapamento e do catalisador e, especialmente, a falta de lubrificação, problemas que podem custar, e muito, caro para o dono do veículo. “O motor pode fundir e, para repará-lo, dificilmente a pessoa gastará menos de R$ 2 mil, independentemente do modelo que ela tenha”, adverte Jéferson. E acrescenta: “Só para se ter uma idéia, um catalisador de um carro popular custa, no mínimo, R$ 300,00. E esse é um dos defeitos mais leves que pode ocorrer.”

Apesar disso, Jéferson argumenta que, muitas vezes, a “borra” no motor só é notada quando a situação já atingiu estágio crítico. “Já consertei vários veículos em que os donos perceberam o problema somente após a luz do óleo acender no painel. E, quando se chega neste ponto, a borra já tomou conta do propulsor”, esclarece.

Por isso, para evitar um “arrombo” no orçamento doméstico, o mecânico orienta que não há segredo. “Usar gasolina e óleos de boa qualidade são as melhores formas de evitar a borra. Também é essencial respeitar tanto os intervalos de troca como as especificações do óleo recomendadas pelo fabricante”, orienta, para depois complementar: “Economizar em substituição ou tipo do lubrificante pode custar caro mais tarde. É preferível gastar mais nesses momentos do que para consertar um motor fundido por falta de lubrificação.”

É o que o regulador de sinistros bauruense Paulo Roberto Fernandes segue à risca depois de ter o motor de seu ex-carro fundido em função da “borra”. “Não deixo de trocar o óleo a cada 5 mil quilômetros e só abasteço em um mesmo posto, onde sempre peço nota fiscal para me prevenir de futuros problemas”, conclui.

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Defenda-se

• Para denunciar um posto revendedor de combustível “batizado” à Agência Nacional do Petróleo (ANP), há dois caminhos: através do site www.anp.gov.br na seção “Fale com a ANP” ou pela Central de Atendimento 0800-900-267

• Para registrar sua denúncia, obtenha o maior número de informações sobre o posto, como CNPJ, razão social, endereço, distribuidora e a descrição do ocorrido. Para isso, tenha nota fiscal

• Exija sempre a nota fiscal para garantir o conhecimento da origem do combustível. Além disso, podem ser verificadas outras obrigações do posto, tais como: placa da ANP visível com o telefone do Centro de Relações com o Consumidor (0800 900 267), bandeira do posto e a marca da distribuidora no caminhão que abastece o posto igual à informada na bomba

• Para ressarcir-se de prejuízos causados pelo combustível adulterado, procure orientação junto aos órgãos de defesa do consumidor, como Procon ou Ministério Público

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Você sabia que...

• Entre os anos 2000 e 2004, 18 postos bauruenses foram autuados por comercializarem combustíveis fora dos padrões de qualidade? No total, os estabelecimentos foram responsáveis por 28 multas aplicadas pela Agência Nacional do Petróelo (ANP)

• A relação dos revendedores autuados e/ou interditados no País pela qualidade dos combustíveis pode ser vista no site http://www.anp.gov.br/petro/mapa_fiscaliza.asp?

• Todos os postos são obrigados pela ANP, conforme a portaria 248, de 31 de outubro de 2000, a manter um kit de testes disponível para o consumidor que pode detectar o excesso de álcool na gasolina?

• Para estar em conformidade com as normas da Agência Nacional do Petróleo, a gasolina deve ter 25% de álcool, com tolerância de 1% para mais ou para menos?

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