Polícia

PM quer centralizar chamadas ao 190

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O serviço 190, número de telefone com ligação gratuita para acionar a Polícia Militar (PM) em caso de emergência envolvendo segurança pública, deve passar por mudanças no próximo ano. O comando da Polícia Militar no Estado de São Paulo estuda centralizar todas as chamadas ao serviço nas cidades-sedes de batalhão para otimizar o trabalho e, assim, liberar mais policiais para o combate ao crime nas ruas. Se a proposta for implantada, Bauru vai receber todas as chamadas feitas à PM em 19 municípios (toda a área do 4.º Batalhão, com cerca de 500 mil habitantes).

Isso significa que, se alguém precisar da PM em Agudos, Pederneiras e Arealva, por exemplo, vai discar para o 190, mas a ligação não será atendida na própria cidade. Automaticamente, ela cairá no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de Bauru, que atualmente recebe chamadas somente da própria cidade. Mas em seguida, as informações passadas por quem ligou retornarão, via rede interna de computador, para a cidade de onde partiu a chamada para que o policial despache uma viatura para a ocorrência.

“Como já trabalhamos hoje, ao receber a chamada, o atendente digita as informações no computador. Automaticamente, os dados vão para a tela de outro computador, onde está o policial que faz o despacho da viatura para atender a ocorrência. Se a chamada é de Bauru, as informações vão para o despachante de Bauru. Se for de Agudos, vão para o despachante lá em Agudos”, explica o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, responsável pelo Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4).

Ele ressalta que na maioria das cidades, a PM destaca um policial para receber as chamadas do 190. Porém, nas menores, o atendimento das chamadas é feito dentro da própria viatura pelo policial que trabalha na rua. A estimativa é, com a mudança, liberar pelo menos um policial por cidade do serviço de atendente das chamadas 190. “É um número significativo se pensarmos no Batalhão como um todo: são 19 cidades, portanto, 19 policiais; no CPI, como são 143 cidades, seria mais de uma centena de policiais”, frisa Eclair. O CPI-4 tem um efetivo de 5.500 policiais e o 4.º Batalhão, de 1.060.

Atualmente, a Polícia Militar recebe, em média, 1.150 chamadas ao 190 por dia nas 19 cidades do 4.º Batalhão. De acordo com o tenente Renato Ramos, chefe de operações do Copom, 90% dessas chamadas são originadas em Bauru. “A maioria das chamadas é de Bauru. As 19 cidades do Batalhão têm, juntas, cerca de 500 mil habitantes e, só em Bauru, são 350 mil pelo menos”, diz.

Para o coronel Eclair, desde que a PM receba os equipamentos necessários e os atendentes estejam preparados, não há risco de a centralização de chamadas causar congestionamento no 190. “O serviço será otimizado porque, nas cidades pequenas, são pouquíssimas chamadas por dia. Por isso, às vezes, o pessoal liga ao 190 e fica conversando com o policial”, diz. No Copom de Bauru, trabalham em revezamento, 24 horas por dia, 44 policiais.

A implantação do projeto depende apenas da disponibilização de equipamentos, como computadores e retransmissores. De acordo com Eclair, até agora não havia condições técnicas para centralizar as chamadas do 190 devido à cobrança de interurbano na chamada de uma cidade para outra. “Há cerca de dois meses, a Agência Nacional de Telecomunicações normatizou isso, permitindo a cobrança de tarifa local”, completa.

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