Politicando

Doença obscura


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Manhã do dia da sessão especial da Câmara para deliberar sobre cassação de mandato do prefeito municipal.

O então presidente, bem cedinho, recebe a notícia ruim por telefone.

- Presidente, não vou na sessão. Acordei com inflamação nos olhos. Coisa feia.

- Colega, sua presença é indispensável. Não dá tempo de convocar substituto. Você tem que vir. Vou mandar uma viatura levá-lo ao dr. Rui Bertoti, ex-colega nosso, excelente oftalmologista. Você virá, sim.

Consultório do dr. Rui Bertoti, exame e diagnóstico na mesma hora. Conjuntivite. Nos dois olhos. Receita imediata e recomendação para início de tratamento na mesma hora.

Na porta da farmácia, receita na mão, nosso vereador, com os olhos em petição de miséria, tromba com o professor Gino Crês, ex-vereador e reconhecido cultor da língua pátria.

A pergunta é imediata.

- Nossa, o que está acontecendo com seus olhos?

E também imediata a resposta.

- Conjuntivite nos olhos.

O professor, perplexo, exclama: - Minha nossa, isto é um pleonasmo. Pleonasmo!

Minutos depois, sessão instalada, o vereador, já medicado, ingressa no plenário e toma assento. Seu colega, observando seu desconforto, indaga:

- O que é que está acontecendo com você?

A resposta vem bem depressa, ainda que obscura e pouco esclarecedora:

- Achei que era inflamação. O doutor Rui Bertoti achou que é conjuntivite nos olhos. O professor Gino Crês tem certeza que é pleonasmo. Estou tratando, mas não sei o que tenho!

(Contada por José Fernando da Silva Lopes)

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