Tribuna do Leitor

14 ANOS SEM "GALVÃO"


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O trem, trem de ferro, pesado, mas sempre leve, pelo que levava dentro, é que para mim, ele sempre levou sonhos, transportou muita saudade. Saudade que nasce no último adeus, quando a mão desaparece na primeira curva; saudade que morre no primeiro abraço, quando o trem pára, na chegada, com aquele suspiro do freio que descansa, feliz por terminar a viagem de volta. Assim foi o trem da minha vida, cheio de gente, cheio de sonhos e repleto de saudade. Hoje, o povo já não povoa mais o trem e isso me entristece, tornando mais triste a despedida. É que o meu trem do tempo chega ao fim e é hora de descer, rumo ao que seria meu descanso.

No trem da vida, desembarco na estação do sonho. E, se na hora do freio você ouvir um suspirar, saiba que já será de saudade, uma saudade funda dos trens de antigamente, cheios de gente, com anseio da chegada ou com a alma doída pela dor da despedida. E, daqui para frente, embarcarei sempre o leve fardo das lembranças, que não ficarão comigo, pois haverão de viajar, eternamente. “Que saudade, meu pai. Quanta falta me faz!” (José Carlos Galvão de Moura)

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