Thaís da Silveira O novo Plano Diretor da cidade, que está em fase de elaboração, poderá ter alternativas
para que Bauru ganhe identidade visual. A informação
é da arquiteta Maria Helena Rigitano, que coordena a
comissão elaboradora do documento.
Ela acredita que a proposta que está sendo estudada
para solucionar o problema dos fundos de vale da cidade,
por exemplo, deve contribuir para isso. O projeto prevê
que sejam feitos parques nestes locais com equipamentos
de lazer e esportes.
Além disso, uma área deve ser reservada para a construção
de barragens de contenção de águas pluviais,
que fariam parte do sistema de macrodrenagem.
“A proposta dos fundos de vale muda significativamente
a paisagem urbana da cidade. Hoje, eles são degradados.
O projeto inclui sistema viário que dá acesso a
eles, criação de parques e equipamentos de lazer e esportes, além de contenção de águas pluviais”, expõe.
Ocupando as margens dos córregos, estes espaços de lazer evitariam a degradação observada atualmente nos fundos de vale. Além disso, auxiliariam no combate às enchentes.
Os primeiros parques devem ser instalados nas regiões
dos córregos Água do Sobrado, Água do Castelo, Água Comprida, Barreirinho e Vargem Limpa. Mas
ainda estão sendo analisadas outras áreas que podem ser
transformadas em parques.
As barragens de contenção de águas pluviais também
serão aproveitadas para criação de avenidas que farão
interligação entre bairros. Entre elas, estão os sistemas
viários Água Comprida (na região leste) e Água do
Sobrado (na região da avenida Castelo Branco).
A Prefeitura de Bauru não dispõe de todas as áreas necessárias para criação desses espaços. Para conquistar as demais glebas, serão utilizados instrumentos do Estatuto da Cidade. Eles representam alternativas para desapropriação e criam outros mecanismos de negociação.
Maria Helena afirma que Bauru é uma cidade carente
de áreas de lazer e que a população pede espaços em
que possam caminhar, jogar bola e passear.
“Precisamos de espaços livres, bem cuidados e iluminados.
Essa foi a grande demanda que eu percebi na população
e acho que a proposta dos fundos de vale sanaria
as deficiências inicialmente. A idéia atende sim à questão
da drenagem, do sistema viário e de lazer. Isso tudo muda
a cara da cidade e ajuda a criar a identidade de Bauru”,
frisa a arquiteta.
A revitalização da área central também deve contribuir
para a melhora da identidade visual da cidade, segundo
Maria Helena. “Estamos redescobrindo a arquitetura
original dos prédios da área central de Bauru. Além disso,
tem a questão dos camelôs, a padronização das calçadas,
a arborização e a habitação”, argumenta.
A arquiteta sugere, ainda, ações de arborização da cidade
e padronização de calçadas para melhorar a paisagem
urbana.
“Concordo que falta identidade à cidade de Bauru. A
paisagem das cidades médias (do Interior paulista),
em geral, têm a mesma cara. As cidades não têm uma peculiaridade”, acrescenta.
Planejamento
Para melhorar o planejamento da cidade e, conseqüentemente, sua identidade visual,
Maria Helena acredita que são necessárias mudanças
na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).
“Estamos atendendo a uma demanda imediata e não
temos alguém para pensar exclusivamente o futuro da cidade. É necessário se afastar do dia-a-dia para alcançar esse objetivo, e isso nunca aconteceu
na Prefeitura de Bauru”, diz a ex-titular da pasta.
A arquiteta explica que a Seplan atualmente tem muitas
preocupações operacionais e faltam profissionais para efetivamente planejar a cidade.
Por exemplo, a secretaria é responsável pelos projetos
de novas escolas, avenidas e reformas de pronto-socorros;
pela fiscalização de calçadas e terrenos baldios, entre outras coisas; pela aprovação de projetos e emissão de alvarás para estabelecimentos que funcionam na cidade.
“Precisaria pensar a cidade a médio e longo prazos e a
gente pensa a curto prazo. Precisamos saber, por exemplo,
qual vai ser a demanda da escola a médio e longo prazos
para reservar os terrenos e para que não se dê outra utilidade para aquele terreno”, exemplifica.
Além de mais funcionários, a Seplan precisa de
mais infra-estrutura para trabalhar, segundo Maria Helena.
Ela acredita que a situação deve melhorar com a implantação do sistema de geoprocessamento,
prevista para os próximos meses. “É necessário
que realmente haja um grupo com recursos suficientes
para conhecer a realidade da cidade, com geoprocessamento
implantado para planejar em cima disso”, afirma.
Plano Diretor
O Plano Diretor é um instrumento normatizador
do desenvolvimento da cidade. O objetivo é definir
diretrizes para o crescimento planejado.
A comissão elaboradora do novo Plano Diretor começou
a trabalhar em dezembro de 2003. Durante o primeiro semestre de 2004, foram formadas comissões
para discutir cada aspecto relacionado ao desenvolvimento
da cidade, sistema de macrodrenagem, sistema
viário e instrumentos do Estatuto da Cidade.
Além de seus próprios estudos, os técnicos utilizam
dados coletados pelo Projeto Bauru + 10, Conferência
das Cidades, Conferência do Meio Ambiente e
Conferência da Assistência Social, entre outras.
Quando o projeto estiver concluído, será submetido à
Câmara Municipal de Bauru para aprovação. O Plano Diretor
em vigor atualmente é de 1996, data do centenário
de Bauru. O anterior e primeiro que vigorou no município
foi elaborado em 1967.
O documento deve ditar caminhos a serem seguidos
pelos próximos prefeitos nas obras executadas. Acreditase
que o cumprimento das diretrizes dependerá também
da cobrança da população.
A previsão inicial da Comissão Elaboradora do novo
Plano Diretor era de que o documento seria concluído
ainda em 2004. Entretanto, os trabalhos continuam
e o término dependerá do prefeito eleito Tuga Angerami,
que assume no dia 1 de janeiro de 2005.