Politicando

Era do chumbo


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Às 10h30 do dia 7 de julho de 1918, Carlos Marques da Silva, diretor-proprietário do jornal “O Tempo”, entrou na confeitaria América, na rua Batista de Carvalho, 6-7, e viu, sentado, o vereador e coronel Gustavo Maciel. Este levantou-se imediatamente e interpelou Marques sobre uma nota publicada que julgou ofendê-lo como vereador e pessoa.

A resposta foi curta e grossa:

- Vá requerê-la à Justiça!

Nem bem terminou a frase, recebeu no rosto um soco dado pelo coronel.

A vítima virou as costas ao seu agressor e, sem falar nada, deixou o recinto sendo seguido, ouvindo palavras ofensivas.

De repente, no meio da rua, pára e vira-se, já de revólver em punho. Sem nenhuma palavra, dispara três vezes, deixando Maciel no solo, seguindo às oficinas de seu jornal, alguns passos de onde se encontrava.

Em menos de dez minutos, soldados entraram na oficina e o prenderam, levando-o ao delegado de polícia Alfredo de Paula Assis, que lavrou o flagrante.

Cinco dias depois, o inquérito já estava concluído e foi encaminhado ao promotor de Justiça Clovis de Moraes Barros, que indiciou Marques ao juiz de direito Rodrigo Romeiro.

O julgamento popular foi realizado com absolvição pelo Juri, no dia 8 de outubro de 1918.

Contada por Vivaldo Pitta - diretor do Museu de Avaí

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