Duartina - Alegando descontentamento com a suposta má qualidade no atendimento médico prestado pelo Pronto-Socorro (PS), a Prefeitura de Duartina (38 quilômetros a sudoeste de Bauru) decidiu radicalizar. Desde o mês passado, os repasses à Santa Casa, que administra o PS, estão suspensos.
A medida, segundo o prefeito Enio Simão (PFL), foi drástica, mas não teria sobrado outra alternativa após as “inúmeras†tentativas de acordo com a direção do hospital. De acordo com ele, o repasse está suspenso até que sejam tomadas as “devidas providências para melhorar o atendimento aos pacientesâ€.
Entre essas providências, o prefeito cobra “mais respeito aos moradores, mais empenho dos médicos†e a substituição de parte do corpo clínico que presta serviço no PS. Segundo Enio Simão, o provedor da Santa Casa, Fiovo Maranho, não aceitou as mudanças. Por isso, a prefeitura teria tomado uma medida extrema.
Por meio da assessoria de imprensa, o prefeito disse ter se surpreendido com a quantidade de reclamações que teria ouvido da população durante a última campanha eleitoral. A principal queixa seria quanto ao atendimento médico.
Segundo os moradores, pacientes particulares e de convênios geralmente ganham preferência no atendimento, independente da gravidade do caso. Isso, segundo Enio, estaria revoltando os pacientes mais pobres que enfrentam filas demoradas para serem atendidos.
Moradores que procuraram atendimento à noite disseram ao prefeito que já chegaram a ouvir do médico plantonista questionamentos como “por que não veio durante o dia?â€
A suspensão do repasse mensal, segundo Simão, não o agrada. Mas, segundo afirmou, seria a última tentativa para que sejam tomadas “providências no sentido de resolver esses e outros problemas e melhorar o atendimentoâ€.
Caso a situação permaneça inalterada, Enio revela que uma das saídas seria criar um Centro Regional de Atendimento, com o apoio dos prefeitos eleitos de Cabrália Paulista e Lucianópolis. Os três municípios colaboram financeiramente com a Santa Casa para ajudar nas despesas com o PS.
Repasse mantido
A Prefeitura de Duartina estava desembolsando mensalmente R$ 23,7 mil para o hospital. A cota de Lucianópolis é bem menor - R$ 4,5 mil - e continua sendo repassada normalmente, segundo informou a tesouraria do município. A reportagem tentou entrar em contato com a Prefeitura de Cabrália Paulista, mas durante toda a tarde de ontem uma gravação avisava que o telefone estava temporariamente fora de serviço.
Em casos de emergência, os moradores de Ubirajara também se utilizam dos serviços do PS de Duartina. De acordo com a assessoria, ainda não existe uma definição de onde funcionaria o Centro Regional de Atendimento, nem o custo que isso geraria para o município.
Em 1997, devido a problemas financeiros, o PS fechou suas portas e só voltou a funcionar após a criação de um consórcio, alguns meses mais tarde, com a participação das prefeituras da região.
Pelo menos por enquanto, o funcionamento do PS não tem sido prejudicado com a decisão da prefeitura de suspender os repasses mensais. Segundo funcionários, o atendimento está sendo feito normalmente, com dois médicos durante o dia e um à noite.
O provedor da Santa Casa, Fiovo Maranho, não foi encontrado para comentar a decisão da prefeitura. Segundo informações de funcionários, ele não estava no hospital ontem à tarde. Foi deixado recado no telefone celular, mas até o fechamento da edição Maranho não havia retornado a ligação.